O ex-ditador cubano Raúl Castro foi acusado nesta quarta-feira (20) pela Justiça federal dos Estados Unidos de ter autorizado uma operação militar que terminou com o derrubamento de duas aeronaves civis da organização Hermanos al Rescate, em fevereiro de 1996. O ataque provocou a morte de quatro pessoas e voltou a elevar a tensão diplomática entre Washington e Havana.
A denúncia foi apresentada na Corte do Distrito Sul da Flórida e inclui acusações de:
- Conspiração para matar cidadãos americanos
- Destruição de aeronaves
- Homicídio premeditado
Além de Raúl Castro, pilotos militares cubanos também foram indiciados no processo.
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Segundo os promotores americanos, o então ministro das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba autorizou ações militares letais contra integrantes da organização Hermanos al Rescate, grupo que realizava voos sobre o território cubano para lançar panfletos ligados à democracia e aos direitos humanos.
A acusação detalha uma operação de inteligência chamada “Operação Escorpião”, que teria envolvido infiltração de agentes cubanos em Miami. Esses infiltrados se passariam por pilotos desertores e coletariam informações sobre voos, aeronaves e movimentações da organização antes de enviar os dados para Havana.
Entre os nomes citados estão René González e Juan Pablo Roque, ligados à chamada “Red Avispa”. De acordo com os investigadores, os infiltrados receberam ordens para não embarcar nos voos programados para o fim de fevereiro de 1996, o que é apontado como evidência de que o ataque já estava planejado antecipadamente.
O episódio ocorreu em 24 de fevereiro de 1996. Na ocasião, três aeronaves civis decolaram do aeroporto de Opa-locka, em Miami-Dade, rumo ao sul. Pouco depois, caças MiG cubanos teriam decolado da base aérea de San Antonio de los Baños.
Segundo a acusação:
- Um primeiro míssil atingiu uma das aeronaves por volta das 15h21, matando duas pessoas
- Minutos depois, um segundo avião foi destruído, deixando mais duas vítimas
- Uma terceira aeronave conseguiu escapar após perseguição
As autoridades americanas afirmam que os aviões estavam desarmados e que não houve qualquer aviso prévio antes do ataque.
Os promotores também sustentam que as decisões militares importantes em Cuba passavam diretamente pela cadeia de comando liderada por Fidel e Raúl Castro. Gravações de rádio teriam registrado pilotos cubanos pedindo autorização para abrir fogo e confirmando posteriormente a destruição das aeronaves.
A denúncia relembra ainda o contexto da década de 1990, período marcado pela crise econômica cubana após o colapso da União Soviética. Inicialmente, a organização Hermanos al Rescate atuava localizando embarcações precárias de migrantes cubanos no mar, mas posteriormente passou a apoiar grupos opositores ao regime cubano — algo interpretado pelo governo da ilha como ameaça política.
Créditos (Imagem de capa): Imagem: REUTERS/Norlys Perez
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