O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, advertiu nesta quinta-feira (23) que a situação no Oriente Médio está "saindo do controle" e que a região se encontra à beira do inimaginável. Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o diplomata apelou por um recuo imediato de todas as partes envolvidas, ressaltando que não existe qualquer solução militar viável para conter o avanço dos conflitos.
A declaração foi feita durante uma sessão especial sobre a resolução pacífica de conflitos internacionais, convocada conjuntamente pela República Democrática do Congo e pelo Paquistão. Diante dos representantes globais, Guterres enfatizou a urgência de interromper as hostilidades e apostar no diálogo diplomático como único caminho possível para alcançar a paz duradoura na região.
Escalada de tensões marítimas e o Estreito de Bab el-Mandeb
O alerta do chefe da ONU ocorre em um momento crítico de escalada militar. Pouco antes do pronunciamento, rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo governo do Irã, reivindicaram a responsabilidade por ataques coordenados contra dois petroleiros sauditas que navegavam pelo Mar Vermelho.
O episódio elevou substancialmente as tensões com a Arábia Saudita, país que apoia o governo oficial iemenita e mantém forte aliança com os Estados Unidos. O aumento das investidas na área ameaça transformar o Estreito de Bab el-Mandeb em uma nova arena militarizada de proporções globais.
A região é considerada estrategicamente vital para o comércio global, funcionando como a principal porta de entrada para o Mar Vermelho e uma rota alternativa essencial ao Estreito de Ormuz, que enfrenta instabilidades devido ao bloqueio promovido pelas forças iranianas.
Crise humanitária na Faixa de Gaza e papel do Conselho
Além da crise nas rotas marítimas, Guterres destacou o rápido deterioramento das condições na Faixa de Gaza. Segundo análises apresentadas pela própria ONU, projeta-se que 70% da população do território palestino enfrentará níveis alarmantes de insegurança alimentar nos próximos meses caso as hostilidades continuem.
Durante o discurso, o secretário-geral enfatizou prioridades urgentes para a comunidade internacional:
- Cessar-fogo imediato: Suspensão de combates no Mar Vermelho e na Faixa de Gaza;
- Ação diplomática: Retomada de negociações sem precedentes militares;
- União do Conselho: Superação de divisões geopolíticas para evitar a inação institucional;
- Proteção civil: Garantia de assistência humanitária e segurança para a população vulnerável.
Em reta final de seu mandato, Guterres definiu o Conselho de Segurança como "a esperança da humanidade", embora o órgão seja frequentemente criticado por paralisia e divergências internas. Ele cobrou posicionamento firme dos países membros para defender os princípios da carta fundamental do organismo.
"A solidez deste Conselho depende do compromisso daqueles que têm a responsabilidade de defendê-lo. Os membros devem dar o exemplo", declarou. O secretário-geral concluiu afirmando que divisões geopolíticas atuais não podem servir de justificativa para a inação nem para a renúncia das responsabilidades internacionais perante o conflito.
Créditos (Imagem de capa): António Guterres Foto: EFE/EPA/JUSTIN LANE
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