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Quarta-feira, 24 de Junho 2026
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Lula está na mira de Trump. Entenda o motivo

Lula apostou na ideologia. Trump apostou no poder.

 Lula está na mira de Trump. Entenda o motivo
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Existe uma diferença fundamental entre políticos que enxergam o mundo como ele é e políticos que enxergam o mundo como gostariam que ele fosse.

Donald Trump pertence à primeira categoria. Luiz Inácio Lula da Silva, à segunda.

Desde que retornou ao poder, Lula parece ter conduzido a política externa brasileira como se ainda estivesse nos anos dourados do Foro de São Paulo, quando discursos antiamericanos rendiam aplausos em auditórios universitários, encontros internacionais da esquerda e reuniões de burocratas multilaterais. O problema é que o mundo mudou e o Foro de São Paulo deixou de ser "teoria da conspiração".

Lula falou pro consumo doméstico até em química. Já Trump nunca escondeu sua antipatia por governos de esquerda latino-americanos. Nunca fingiu admiração por Lula. Nunca tentou vender amizade onde não existia. Mas também nunca fez da simpatia um requisito para negociar. 

Essa é uma característica frequentemente ignorada por seus adversários. Trump não é um diplomata romântico. É um negociador. E negociadores não precisam gostar das pessoas sentadas do outro lado da mesa. Precisam apenas identificar vantagens.

Desde sua segunda eleição, a porta esteve aberta para uma relação pragmática entre Brasília e Washington. Não uma relação de amizade, mas de interesses. Exatamente como ocorre entre grandes nações.

Mas Lula parece ter confundido política externa com militância internacional. Ou fez de propósito.

Enquanto os Estados Unidos continuavam sendo o principal centro financeiro, tecnológico e militar do planeta, o governo brasileiro multiplicava gestos de aproximação com regimes autoritários, relativizava agressões internacionais quando praticadas por governos ideologicamente simpáticos e insistia em uma retórica que frequentemente colocava o Brasil em rota de colisão com os interesses americanos. Sem contar nas declarações contra Trump.

Em teoria, o cálculo era simples: agradar sua base ideológica doméstica. Em teoria também, esse sempre foi o motivo. O problema é que política internacional não funciona como congresso partidário. Ainda mais nos dias de hoje.

Em algum momento, a realidade cobra a conta. E a conta chegou. Trump opera segundo uma lógica conhecida por qualquer estudante de negociação: quem demonstra precisar mais do acordo já entra enfraquecido na conversa. Quem tem menos necessidade possui mais liberdade de ação.

Hoje, a assimetria é evidente. Os Estados Unidos não dependem de Lula para sustentar sua posição global. Não dependem da aprovação do Palácio do Planalto. Não dependem de discursos produzidos para consumo interno da esquerda brasileira.

Já Lula precisa demonstrar relevância internacional. Precisa mostrar influência. Precisa convencer investidores, empresários e até parte de sua própria base política de que ainda possui capacidade de articulação junto às principais potências do planeta.

É justamente aí que reside sua fragilidade. Durante anos, o governo brasileiro agiu como se pudesse criticar, provocar, desafiar e ao mesmo tempo esperar que todas as portas permanecessem abertas indefinidamente. E ficavam abertas

Não é assim que o poder funciona.

Trump pode ser acusado de muitas coisas. Mas ingenuidade não está entre elas.

Ao contrário do que imaginavam alguns setores da esquerda brasileira, ele jamais foi movido pela necessidade de aprovação internacional. Nunca precisou do aplauso dos jornais europeus. Nunca precisou da validação das organizações multilaterais. E certamente não precisa da aprovação de Lula.

A consequência é que o tabuleiro mudou.

Se antes havia espaço para construir uma relação baseada em interesses mútuos, hoje o governo brasileiro encontra-se em uma posição muito mais desconfortável. O capital político desperdiçado ao longo dos últimos anos reduziu sua margem de manobra justamente no momento em que precisa apresentar resultados.

A grande ironia é que Lula passou décadas denunciando relações de dependência. No entanto, ao substituir pragmatismo por ideologia, acabou enfraquecendo sua própria capacidade de negociação diante da maior potência do mundo.

Na política internacional, discursos rendem manchetes. Poder produz resultados.

Trump entendeu isso desde o primeiro dia.

Lula parece ainda não ter percebido.

Créditos (Imagem de capa): Imagens: Foto ilustrativa gerada com IA

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