A viagem começou como um daqueles filmes que a imprensa governista adora produzir: Lula chegaria ao G7, conversaria com Donald Trump, reforçaria o protagonismo internacional do Brasil e mostraria ao mundo sua suposta capacidade de dialogar com todos os lados e barraria as tarifas americanas.
Era o roteiro perfeito mas F altava apenas um detalhe: Trump.
Durante dias, colunistas, comentaristas e especialistas de plantão construíram uma atmosfera de expectativa quase messiânica. O encontro seria importante. O diálogo seria estratégico. A conversa demonstraria a relevância do Brasil e o “sangue de Lampião” do Presidente Lula. O mundo estaria atento.
Então a realidade entrou na sala a fórceps. A TV teve que mostrar.
Vieram as mudanças de agenda. Vieram os desencontros. Vieram os ajustes de última hora. E, de repente, o encontro que era tratado como um grande marco diplomático começou a desaparecer das manchetes com a mesma velocidade com que havia surgido.
Como sempre acontece, a narrativa precisou ser atualizada.
Antes, o encontro era fundamental. Depois, descobriu-se que ele não era tão importante assim.
Antes, seria uma demonstração de prestígio. Depois, passou a ser apenas uma possibilidade.
Antes, era um objetivo diplomático. Depois, virou um detalhe protocolar.
Vergonha alheia com os vídeos, os áudios vazados e a tentativa de abraço após um aperto de mão e o gesto ríspido de Trump que fez lembrar até alguém afastando um batedor de carteira.
O impressionante não foi o desenrolar dos fatos. O impressionante foi assistir a parte da mídia correndo atrás deles com uma caixa de ferramentas cheia de desculpas.
O resultado foi uma cena simbólica de um governo que insiste em acreditar na própria propaganda. Brasília parecia convencida de que bastava desembarcar em uma reunião internacional para que todos os líderes do planeta estivessem ansiosos por uma conversa. Principalmente Trump.
Mas o mundo real funciona de forma um pouco diferente.
Trump passou pelo encontro como um furacão político, monopolizando atenções, pautando debates e deixando claro que suas prioridades estavam em outro lugar. Enquanto isso, os mesmos veículos que haviam prometido um grande momento diplomático passaram a explicar por que a ausência desse grande momento diplomático era, na verdade, uma prova de maturidade política.
Uma verdadeira obra-prima do contorcionismo jornalístico.
E então veio o capítulo final.
Após dias tentando demonstrar proximidade com Washington, sobraram críticas aos Estados Unidos. Depois de buscar reconhecimento, vieram os discursos inflamados. Depois da expectativa de diálogo, a bravata.
Nada mais previsível.
É quase uma tradição da política do Lula: quando o encontro não acontece, quando a foto não vem e quando a relevância internacional não se materializa, resta o discurso para consumo doméstico.
Mas existe um aspecto particularmente desconfortável para o governo brasileiro. Nos últimos meses, setores importantes da política americana passaram a demonstrar crescente atenção ao que acontece no Brasil. Parlamentares, analistas e integrantes do establishment norte-americano têm discutido temas ligados à liberdade de expressão, decisões judiciais, censura em plataformas digitais e estabilidade institucional brasileira.
Washington tem ciência do que acontece aqui e observa.
E observa mais do que Brasília gostaria.
Enquanto parte da imprensa insistia em vender a imagem de um governo respeitado e influente nos grandes centros de poder, defensor de democracia e soberania, os sinais vindos dos Estados Unidos mostravam algo diferente: preocupação, questionamentos e crescente desconforto com rumos adotados por instituições brasileiras.
O contraste não poderia ser maior.
De um lado, a narrativa.
Foi Buscar Trump e Voltou com uma Narrativa
A viagem começou como um daqueles filmes que a imprensa governista adora produzir: Lula chegaria ao G7, conversaria com Donald Trump, reforçaria o protagonismo internacional do Brasil e mostraria ao mundo sua suposta capacidade de dialogar com todos os lados.
Era o roteiro perfeito.
Faltava apenas um detalhe.
Trump.
Durante dias, colunistas, comentaristas e especialistas de plantão construíram uma atmosfera de expectativa quase messiânica. O encontro seria importante. O diálogo seria estratégico. A conversa demonstraria a relevância do Brasil. O mundo estaria atento.
Então a realidade entrou na sala.
Vieram as mudanças de agenda. Vieram os desencontros. Vieram os ajustes de última hora. E, de repente, o encontro que era tratado como um grande marco diplomático começou a desaparecer das manchetes com a mesma velocidade com que havia surgido.
Como sempre acontece, a narrativa precisou ser atualizada.
Antes, o encontro era fundamental.
Depois, descobriu-se que ele não era tão importante assim.
Antes, seria uma demonstração de prestígio.
Depois, passou a ser apenas uma possibilidade.
Antes, era um objetivo diplomático.
Depois, virou um detalhe protocolar.
O impressionante não foi o desenrolar dos fatos. O impressionante foi assistir a parte da mídia correndo atrás deles com uma caixa de ferramentas cheia de desculpas.
O resultado foi uma cena simbólica de um governo que insiste em acreditar na própria propaganda. Brasília parecia convencida de que bastava desembarcar em uma reunião internacional para que todos os líderes do planeta estivessem ansiosos por uma conversa.
Mas o mundo real funciona de forma um pouco diferente.
Trump passou pelo encontro como um furacão político, monopolizando atenções, pautando debates e deixando claro que suas prioridades estavam em outro lugar. Enquanto isso, os mesmos veículos que haviam prometido um grande momento diplomático passaram a explicar por que a ausência desse grande momento diplomático era, na verdade, uma prova de maturidade política.
Uma verdadeira obra-prima do contorcionismo jornalístico.
E então veio o capítulo final.
Após dias tentando demonstrar proximidade com Washington, sobraram críticas aos Estados Unidos. Depois de buscar reconhecimento, vieram os discursos inflamados. Depois da expectativa de diálogo, a bravata.
Nada mais previsível.
É quase uma tradição da política latino-americana: quando o encontro não acontece, quando a foto não vem e quando a relevância internacional não se materializa, resta o discurso para consumo doméstico.
Mas existe um aspecto particularmente desconfortável para o governo brasileiro.
Nos últimos meses, setores importantes da política americana passaram a demonstrar crescente atenção ao que acontece no Brasil. Parlamentares, analistas e integrantes do establishment norte-americano têm discutido temas ligados à liberdade de expressão, decisões judiciais, censura em plataformas digitais e estabilidade institucional brasileira.
Independentemente da posição de cada um sobre esses assuntos, uma coisa ficou evidente: Washington observa.
E observa mais do que Brasília gostaria.
Enquanto parte da imprensa insistia em vender a imagem de um governo respeitado e influente nos grandes centros de poder, os sinais vindos dos Estados Unidos mostravam algo diferente: preocupação, questionamentos e crescente desconforto com rumos adotados por instituições brasileiras.
O contraste não poderia ser maior. De um lado, a narrativa, do outro, a realidade.
No final das contas, a viagem reforçou a realidade. Não basta anunciar protagonismo para se tornar protagonista. Não basta repetir que o Brasil é democrático e livre, ao cenário internacional, para que os principais líderes do mundo reajam como se isso fosse verdade.
E não basta uma manchete otimista para transformar constrangimento em triunfo. A imprensa amiga do governo tenta. Tenta muito.
Mas, desta vez, a realidade viajou na mesma comitiva.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se