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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
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Pesquisa, áudio e narrativa

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Pesquisa, áudio e narrativa
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Virou polêmica a decisão do ministro Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação da pesquisa que utilizava um áudio como parte da metodologia.

Nessas horas, cabe como uma luva uma frase de Olavo de Carvalho sobre a luta entre o bem e o mal:

“Ou a luta contra o mal começa pela luta contra a confusão, ou só acaba contribuindo para a confusão entre o bem e o mal.”

Logo após a decisão, surgiram perguntas como:

“Mas como um áudio, após a declaração de voto, muda alguma coisa?”

Ou ainda:

“Então o problema era as pessoas saberem do áudio?”

Questionamentos levantados até mesmo por jornalistas da grande imprensa.

Mas aí entra justamente o elemento central da discussão: a confusão.

A suspensão não ocorreu por causa do conteúdo do áudio. O fundamento da decisão foi a metodologia utilizada. Esse é o fato objetivo. E, ao que tudo indica, o instituto Atlas nunca havia adotado procedimento semelhante, tampouco realizado uma sequência de sete perguntas após a reprodução de um áudio.

O problema é que a confusão serve a muitos interesses.

O mal-intencionado escolhe a narrativa que melhor lhe convém. Reclama da proibição depois de utilizar a própria pesquisa para construir inúmeras interpretações sobre Flávio e Vorcaro.

Já o mal informado é naturalmente vulnerável a qualquer narrativa. E não é preciso lembrar quem ainda controla a maior parte dos meios tradicionais de comunicação, com exceção do espaço relativamente livre proporcionado pela internet.

O fato é que pesquisas de opinião existem, na prática, para influenciar percepções a partir de uma realidade observada ou de uma determinada narrativa sobre essa realidade. Não estou falando necessariamente de fraude ou manipulação dos números. Estou falando da interpretação que se constrói em torno deles.

Mas existe manipulação?

Claro que existe.

Qualquer pessoa que defenda uma posição política, ideológica ou institucional utiliza dados reais e os encaixa dentro do discurso que deseja sustentar, esteja ele mais ou menos alinhado à realidade.

Imagine a recente pesquisa apontando que 53% dos entrevistados apoiam a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas.

A partir do mesmo dado, alguém dirá que o país está profundamente dividido. Outro afirmará que existe uma maioria favorável à medida.

Os dois discursos nasceram exatamente do mesmo número.

Mas qual é a realidade por trás dele?

Quantas pessoas compreenderam de fato o significado jurídico e político dessa classificação? Quantas responderam influenciadas pela guerra de narrativas que envolve o tema? Quantas simplesmente estão confusas?

E aqui surge uma questão curiosa.

Nessa pesquisa não existiu áudio. Não existiram duas, cinco ou sete perguntas subsequentes. Agora imagine o cenário oposto: um áudio do presidente defendendo a não classificação das facções como organizações terroristas, seguido de perguntas sobre segurança pública, criminalidade e relação com o crime organizado.

Qual seria o resultado? Quais narrativas surgiriam a partir disso? Mesmo com as verdades ditas e as suspeitas de alguns.

É justamente aí que a discussão sobre metodologia ganha relevância.

Mesmo que o entrevistado tome conhecimento de determinada informação apenas após declarar seu voto ou sua posição inicial, o simples formato da pesquisa já pode fornecer matéria-prima para inúmeras interpretações e narrativas posteriores.

Por isso, combater a confusão é fundamental.

Sem clareza, o debate deixa de ser uma busca pela verdade e se transforma apenas em uma disputa de versões.

A frase de Olavo permanece atual justamente por isso:

“Ou a luta contra o mal começa pela luta contra a confusão, ou só acaba contribuindo para a confusão entre o bem e o mal.”

No fim das contas, o resultado da pesquisa importa menos do que muitos imaginam. O histórico do instituto — que, diga-se de passagem, é considerado sólido por muitos analistas — importa menos do que parece.

O que realmente importa é evitar metodologias que gerem dúvidas desnecessárias, porque toda inovação controversa cria espaço para questionamentos, narrativas e disputas de interpretação.

E, quando o assunto é debate público, reduzir a confusão é sempre o primeiro passo para aproximar as pessoas dos fatos.

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