Já Fomos Melhores, Bem Melhores. Vamos Perder Pra Argentina Outra Vez
Calma, calma.
Não estou falando de futebol. Nesse, ainda temos chance.
Estou falando de algo bem mais sério — e bem mais doloroso para o bolso de qualquer brasileiro que tenta pagar as contas no fim do mês.
Porque se amanhã a FIFA anunciasse uma Copa do Mundo entre economias, o Brasil não chegaria nem às oitavas. Cairia na fase de grupos, com dois gols tomados de calcanhar, olhando para o telão enquanto a Argentina levantava a taça.
E o pior: não seria por azar. Seria por escolha.
Nesta semana, Javier Milei voltou a ligar a motosserra — desta vez com requinte. Anunciou corte nas retenções sobre exportações de trigo e cevada, de 7,5% para 5,5%, com início em junho. Para a soja, prometeu reduções mensais a partir de 2027, contínuas, até 2028. Setores automotivo, petroquímico e de máquinas entram no pacote também.
Não é espetáculo. É sequência.
Desde que assumiu, em dezembro de 2023, Milei cortou gastos públicos, demitiu 33 mil funcionários públicos, eliminou subsídios e burocracia. O resultado? Em 2024, a Argentina registrou superávit primário de 1,8% do PIB e superávit financeiro de 0,3% — o primeiro resultado positivo dessa magnitude em 14 anos e o melhor desempenho em 16. No primeiro trimestre de 2025, a economia cresceu 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O FMI projeta 5,5% de crescimento para o ano inteiro.
Em abril, as exportações argentinas atingiram US$ 8,91 bilhões — o maior valor histórico para o mês.
Isso é o que acontece quando um governo para de tratar o dinheiro do povo como se fosse recurso natural infinito.
Agora vem a parte que dói.
Enquanto Milei procura quais impostos ainda pode cortar, Lula e Haddad procuraram onde ainda havia bolso para enfiar a mão.
O governo federal implementou, em média, uma nova iniciativa para elevar a carga tributária a cada 27 dias. Ao todo, 43 medidas em pouco mais de três anos de gestão. Uma a cada 27 dias. Você nem tinha terminado de processar o aumento anterior e já vinha o próximo.
A carga tributária subiu de 31,2% do PIB em 2022 para 32,3% em 2024. E em 2025, o Brasil registrou a maior carga tributária de sua história. Poder360Poder360
Resultado? O PIB brasileiro cresceu apenas 2,3% em 2025 — o índice mais baixo desde o fim da pandemia.
Alguém poderia chamar isso de incompetência. Outros, mais desconfiados, poderiam chamar de projeto. Afinal, um Estado que cresce, arrecada cada vez mais e concentra cada vez mais poder nas mãos de quem o controla é, convenhamos, um Estado muito conveniente para quem está no poder.
Incompetência ou estratégia? Com Lula e Haddad, a resposta honesta é: pode ser os dois ao mesmo tempo. E isso, de certa forma, é ainda mais assustador.
Haddad é o ministro que tentou aumentar o IOF de surpresa, recuou quando a reação foi intensa, e voltou pela janela. É o mesmo ministro que defende no G20 uma taxação global sobre fortunas — fora do Brasil, para o brasileiro não perceber o que vem por aí. É o rosto apresentável de uma política que, nos números, não apresenta nada de apresentável.
E Lula? Lula é o presidente que defende bandido e que olha para a Argentina, a vê crescer 5,8% e ainda assim defende que o caminho é o Estado gastar mais, regular mais, cobrar mais. É o chefe de governo que transformou o Tesouro Nacional em caixa de ressonância de um projeto político que precisa de dependentes para sobreviver, não de cidadãos prósperos.
Um país com contribuintes ricos é perigoso para quem vive de prometer picanha. Um país com contribuintes pobres e dependentes de transferências, nome pomposo para esmolas institucionais, é muito mais fácil de governar — e muito mais fácil de reeleger.
A diferença entre os dois modelos não é só numérica.
É filosófica. É civilizatória.
Milei parte de uma premissa simples: o dinheiro é de quem trabalhou para ganhá-lo. O Estado só pode pegar o que for estritamente necessário — e tem que prestar contas do que fez com isso.
Lula e Haddad partem de outra premissa: tudo que o cidadão tem é, em alguma medida, concessão do Estado. E o Estado — este Estado, liderado por eles — sabe melhor do que você o que fazer com o fruto do seu trabalho.
Você gosta de ter um dono que diz o que é bom para você?
São visões incompatíveis.
E hoje estão sendo testadas, ao vivo, em tempo real, diante de toda a América Latina.
Talvez a Argentina não ganhe a próxima Copa do Mundo de futebol.
Mas a Copa do Mundo das economias está acontecendo agora. E o placar, neste momento, é bem claro.
Argentina avança. Brasil olha do banco de reservas — sem entender direito por que foi deixado de fora, e com um técnico que já está pensando na próxima eleição.
Fontes: INDEC (Argentina), FMI, Tesouro Nacional, Receita Federal, Poder360 e Gazeta do Povo.
Créditos (Imagem de capa): MAGNIFIC
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