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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
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Posição ao dormir pode aumentar risco de infarto? Médicos explicam

Especialistas explicam como a qualidade do sono e a apneia podem impactar a saúde cardiovascular ao longo dos anos

Posição ao dormir pode aumentar risco de infarto? Médicos explicam
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A posição em que uma pessoa dorme pode influenciar a saúde do coração? Embora não existam evidências científicas robustas que associem diretamente uma posição específica ao infarto, especialistas alertam que algumas posturas podem agravar problemas como a apneia obstrutiva do sono, condição que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

O impacto, portanto, acontece de forma indireta, por meio da piora da qualidade do sono e das alterações fisiológicas provocadas pela interrupção da respiração durante a noite.

De acordo com o cardiologista Nathan Soubihe, do Hcor, em São Paulo, não há comprovação de que dormir do lado esquerdo, direito ou em qualquer outra posição seja capaz de causar infarto diretamente. O problema surge quando determinadas posturas favorecem a obstrução das vias aéreas durante o sono.

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“Dormir de barriga para cima pode aumentar o colapso das vias aéreas, piorar o ronco e, consequentemente, agravar a apneia do sono”, explica o especialista.

A apneia provoca pausas repetidas na respiração ao longo da noite, reduzindo a oxigenação do sangue e aumentando a atividade do sistema nervoso simpático. Como consequência, há elevação da pressão arterial, aumento da inflamação vascular e maior sobrecarga cardiovascular

O cardiologista Ricardo Cals, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, reforça que o sono reparador é essencial para a saúde do coração. Segundo ele, a posição de barriga para cima pode facilitar o deslocamento da língua e do palato mole para trás, estreitando a passagem de ar e favorecendo episódios de apneia.

Como a apneia aumenta o risco cardiovascular

A relação entre sono inadequado e doenças cardiovasculares já está bem estabelecida na literatura médica. Quando a apneia permanece sem tratamento por anos, o organismo fica exposto a episódios repetidos de falta de oxigênio e despertares involuntários.

“Há uma relação direta entre apneia do sono e hipertensão arterial, aumento do risco de infarto agudo do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca e fibrilação atrial”, destaca Soubihe.

Além disso, a privação do sono profundo favorece o aumento de marcadores inflamatórios e acelera o acúmulo de gordura nas artérias. Esse processo contribui para o desenvolvimento da aterosclerose, principal causa de infartos e acidentes vasculares cerebrais.

Cals observa que muitas pessoas nem percebem os microdespertares causados pela apneia, mas sentem os efeitos durante o dia. “É comum o paciente acordar cansado, com sonolência excessiva, irritabilidade e dificuldade de concentração, sinais de que o sono não está sendo restaurador”, afirma.

Qual é a melhor posição para dormir?

De maneira geral, os especialistas consideram que dormir de lado costuma ser a posição mais favorável tanto para a qualidade do sono quanto para a manutenção das vias aéreas abertas.

Não existe evidência sólida de que o lado esquerdo ou o lado direito ofereçam proteção cardiovascular específica para a população em geral. Entretanto, alguns pacientes com insuficiência cardíaca relatam maior conforto ao dormir do lado direito ou com a cabeceira elevada.

Além da posição, a higiene do sono tem papel fundamental na prevenção de problemas cardiovasculares. Manter horários regulares para dormir, evitar telas antes de deitar, reduzir o consumo de cafeína no fim do dia e tratar a apneia quando presente são medidas importantes para preservar a saúde.

Nos casos leves de apneia, a perda de peso e mudanças nos hábitos costumam ser as principais recomendações. Já quadros moderados e graves podem exigir aparelhos intraorais ou o uso do CPAP, equipamento que ajuda a manter as vias respiratórias abertas durante toda a noite.

A principal mensagem dos especialistas é que a posição ao dormir, isoladamente, não causa infarto. O maior risco está nos distúrbios respiratórios que prejudicam o sono e permanecem sem diagnóstico ou tratamento adequado. Por isso, investir em um sono de qualidade é uma das estratégias mais importantes para proteger o coração a longo prazo.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Mariia Vitkovska/Getty Images

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