Um detalhe aparentemente simples no lóbulo da orelha pode servir como alerta para problemas cardiovasculares. Trata-se da chamada prega diagonal do lóbulo da orelha, conhecida na medicina como sinal de Frank, uma característica física que vem sendo associada por diversos estudos a um maior risco de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
O sinal recebeu esse nome em homenagem ao médico Sanders T. Frank, que observou a presença da prega em diversos pacientes com menos de 60 anos diagnosticados com angina — dor no peito causada pela redução do fluxo sanguíneo para o coração — ou com obstruções nas artérias coronárias.
Desde então, pesquisas têm investigado a relação entre essa marca e doenças cardiovasculares. Estudos apontam que pessoas com o sinal de Frank apresentam maior incidência de doença arterial coronariana, doença vascular periférica e problemas cerebrovasculares, além de um risco aumentado de morte por complicações cardíacas.
Uma pesquisa publicada em 2017 também identificou uma associação entre a prega diagonal no lóbulo da orelha e eventos cerebrovasculares isquêmicos, como o acidente vascular cerebral (AVC) e o ataque isquêmico transitório, conhecido popularmente como mini-AVC.
Segundo os estudos, a ligação com doenças cardíacas parece ser mais forte quando a prega atravessa todo o lóbulo, está presente nas duas orelhas e apresenta profundidade acentuada.
Possíveis explicações
Embora a relação exata entre a prega e os problemas cardiovasculares ainda não seja totalmente compreendida, especialistas levantam algumas hipóteses.
Uma delas sugere que a perda de elastina e de fibras elásticas, processo também relacionado ao envelhecimento e ao endurecimento das artérias, poderia explicar tanto o surgimento da prega quanto o desenvolvimento de doenças cardíacas.
Outra teoria aponta para fatores genéticos, já que a associação entre o sinal de Frank e doenças cardiovasculares foi observada em diferentes grupos populacionais ao redor do mundo.
Pesquisas recentes também identificaram níveis reduzidos de determinadas proteínas em pacientes que apresentam simultaneamente o sinal de Frank e doença arterial coronariana. Essas alterações poderiam contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC.
Sinal não substitui diagnóstico
Especialistas ressaltam que a presença da prega no lóbulo da orelha não significa, por si só, que uma pessoa tenha ou desenvolverá uma doença cardíaca.
No entanto, o sinal pode servir como um alerta adicional, especialmente quando associado a fatores de risco já conhecidos, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e histórico familiar de problemas cardiovasculares.
Diante da presença da marca e de outros fatores de risco, a recomendação é procurar avaliação médica para investigação adequada e acompanhamento preventivo.
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