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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
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Governo Lula Descobre a Máquina do Tempo: A Culpa Continua Sendo do Bolsonaro

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Governo Lula Descobre a Máquina do Tempo: A Culpa Continua Sendo do Bolsonaro
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Enquanto os impostos chegam no presente, os culpados continuam morando no passado.

Existe uma lenda antiga segundo a qual os governos são eleitos para resolver problemas.

Mas o Brasil resolveu inovar.

Entramos na era da responsabilidade retroativa infinita.

Uma era em que o governo governa, arrecada, nomeia ministros, cria programas, apresenta projetos, aumenta gastos, anuncia medidas e ocupa o poder há anos, mas continua explicando que os problemas pertencem ao governo anterior.

O arroz subiu?

Bolsonaro.

O feijão aumentou?

Bolsonaro.

A conta de luz veio mais cara?

Bolsonaro.

O dólar oscilou?

Bolsonaro.

A inflação incomodou?

Bolsonaro.

O crescimento decepcionou?

Bolsonaro.

Se um cidadão esquecer a senha do banco, não seria surpresa aparecer algum especialista explicando que as causas estruturais do problema remontam a 2019.

É uma teoria extraordinária.

Talvez a maior inovação política brasileira desde a invenção do horário eleitoral gratuito.

A Teoria da Herança Eterna.

Segundo ela, o tempo passa para todo mundo, menos para a culpa.

A culpa permanece congelada no passado, imune ao calendário, aos mandatos e à realidade.

É como um motorista que assume o volante, dirige durante vários quilômetros, escolhe o caminho, controla a velocidade, faz as curvas, abastece o veículo e, ao bater em um poste, desce do carro para explicar que a responsabilidade continua sendo do motorista anterior.

O mais curioso é que essa lógica funciona apenas em uma direção.

Quando surge uma notícia positiva, o mérito pertence ao governo atual.

Quando surge uma notícia negativa, trata-se de herança.

Quando a arrecadação cresce, é competência.

Quando a economia decepciona, é legado.

Quando um indicador melhora, é resultado das políticas atuais.

Quando piora, é consequência do passado.

É uma espécie de milagre administrativo.

Os acertos envelhecem rapidamente e se tornam atuais.

Os erros permanecem eternamente jovens e continuam pertencendo aos antecessores.

Enquanto isso, o contribuinte observa a cena, tentando entender uma questão simples:

Se o passado é responsável por todos os problemas, então exatamente para que serve o governo atual?

Porque a população não elege comentaristas.

Não elege analistas.

Não elege especialistas em encontrar culpados.

Elege governantes.

Pessoas que recebem poder justamente para enfrentar dificuldades, corrigir rumos e apresentar soluções.

Mas existe um detalhe ainda mais interessante.

Ao mesmo tempo em que os problemas continuam sendo atribuídos ao passado, as contas continuam chegando no presente.

Os impostos são atuais.

As despesas são atuais.

As decisões são atuais.

As cobranças são atuais.

Somente a culpa permanece viajando no tempo.

Talvez seja a primeira máquina do tempo realmente funcional criada no Brasil.

Infelizmente, ela não serve para corrigir erros.

Serve apenas para encontrar culpados.

E, como toda inovação nacional, a conta também acaba chegando ao contribuinte.

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