"Quem tem medo do lobo-mau, lobo-mau, lobo-mau... quem tem medo lobo-mau..."
Não passa pela minha cabeça alguém nunca ter ouvido essa cantiga da história dos Três Porquinhos. Vilão também na história da Chapéuzinho Vermelho, lobo-mau passou a ser expressão corrente dos nossos dias, usada até com picardia por homens e mulheres para falar sobre o que seria um parceiro ideal (ainda que para tão somente um momento e não uma vida inteira).
Canis lupus familiaris, o seu cachorrinho, surgiu na Europa e na Ásia com a domesticação de lobos. Lobos que então se tornaram (quase todos) mansos e dóceis, de diferentes aspectos e tamanhos. Eis o melhor amigo do homem (menos para os mulçumanos).
A fundação de Roma, a Cidade Eterna, tem em sua lenda os seus fundadores, os gêmeos Rômulo e Remo, amamentados por uma loba. Isso cerca de 1500 A.C..
Temos também no livro do Novo Testamento, numa parábola proferida por Jesus Cristo, a razão para a expressão "lobo em pele de cordeiro". Passando assim a fazer parte de nossas vidas um ensinamento profundo sobre a natureza humana que é verdadeiramente revelada pelas ações das criaturas e não pelas aparências oriunda de atos circustânciais e discursos.
Mas, porém, todavia contudo... bem, comecei o texto "cantarolando" uma perguntinha inocente e aqui volto à ela: quem tem medo do lobo-mau?
Na era da pós-verdade, da multiplicidade de informação (ou da desinformação), é curioso ver o modo de como aqueles que representam qualquer risco a uma agenda revolucionária são tratados. Chega a ser infantil se analisarmos o todo dessas atitudes, pricipalmente quando fazemos sem o envolvimento emocional.
Do mesmo modo que um copo d'água preenchido pela metade pode ser "meio-cheio ou meio-vazio", as ofensas pessoais e as afirmações mais variadas (sempre canalhas) que são usadas para ataques ou como justificativas válidas para "senões" contra esses personagens, atualmentes representantes populares de um pensamento lógico e arraigagado na tradição e na base moral da nossa sociedade, perpassam a canalhice e a maledicência, caindo, por fim, no fosso da histeria infantilizada.
No domingo, dia 22 de outubro, foi dia dos Argentinos escolherem seu novo Presidente. Escolha que poderia ter selado em definitivo, já no primeiro turno, o destino da nação.
Mas as previsões não se concretizaram. Existia a esperança de muitos, na Argentina e fora de lá, de vitória do lobo-mau da vez, "o descabelado e com cara de maluco, extremista direitista", Javier Milei. Mas o que existiu, de fato, foram as desconfianças e denúncias de sempre. A de um processo eleitoral problemático e fraudulento.
El lobo malo da vez, além do visual digno do seculo XVIII e XIX, vejam só, fala palavrões e fala verdades sobre a esquerda! Que loucura, dizem eles! Fala, de fato, muitas verdades pra lá de inconvenientes pra essa turma que vive do e para o poder.
A receita é a mesma da que vimos por aqui: além de criticarem a forma (e falo da forma em todas as suas formas, do comportamento, político indo ao pessoal e até mesmo a estética física), aterrorizando os desavisados, dizendo que suas ideias são terríveis (quase sempre mentindo e lhe atribuindo ideias que sequer existem), sem discutir ou refutar uma das existentes sequer. Apenas (como se fosse pouco) assombram e distorcem suas afirmações (além de inventarem outras tantas) e pintam até mesmo, vejam só, um lobo em pele de cordeiro! Mas cá entre nós, essa é um atitude normal para essa gente que verdadeiramente é lobo e, nos tempos atuais, não anda mais preocupada em se apresentar em pele de cordeiro.
Fazendo um paralelo com o Brasil, por aqui, de forma infantil, parte da população adorou a oportunidade da justificativa "do feio, bobo e cara-de-melão" para extravasar a sua própria canalhice, a sua pobreza d'alma e sua fraqueza moral.
E para o stablishment não precisou sequer ser a maioria, melhor, não precisou demonstrar em manifestações, atos populares diversos, em engajamentos e vizualizações nas redes sociais, bastaram as pesquisas dos Datacoisas e afins para todos verem que existia uma maioria que nunca era vista pelos mortais.
Em suma, bastou aflorar em uma parcela da sociedade esse sentimento de medo do "lobo-mau ou do genocida negacionista". Anunciado e propagandeado por muitas horas de exposição, através "fatos irrefutáveis" até serem SEMPRE refutados pelos JNs e portais da vida, através de seus atores ou militantes (chamados conotativamente de jornalistas), por todos os anos do governo Bolsonaro, para cairmos em desgraça como nação.
Pelo o que chegava a todos nós aqui no Brasil, através de fontes sérias, nos parecia que o povo Argentino tinha se cansado de tanto conto da carochinha e da dura realidade de pobreza e inflação. Mas as urnas não disseram isso não.
Todavia, parece que os bilhões brasileiros derramados no país vizinho, além de quiçá otras cositas más, fez com que a turma vermelha de lá conseguisse criar um clima onde o responsável direto por uma inflação galopante, por uma vida econômica de pobreza e dificuldade apareça oficialmente, graças ao resultado eleitoral, como o preferido em primeiro turno. Preferido para mudar o país, quando ele assumir o poder, por aquilo que ele, estando no poder é um dos principais responsáveis!
Enfim, o verdugo preferido por suas próprias vítimas. Deve ser a tal Síndrome de Moscou, porque nem a de Estocolmo explica! Realmente não é fácil explicar essa obsessão por votar em quem lhe roubou ou em que lhe colocou no caminho da crise econômica, da miséria e da tirania. Venezuelanos eleitores da democracia de Maduro que o digam.
Em contrapartida, com o resultado das urnas na semana passada no Equador, na Nova Zelândia e na Polônia, somado ao resultado deste final de semana na Suíça e, sem desconsiderar com o que já acontece na Argentina (independente do resultado oficial), e com tudo que estamos vivendo no Brasil desde 2018, somando a isso as disputas onde a esquerda levou as eleições com resultados apertadíssimos nas três Américas, sempre com suspeitas e denúncias de fraudes e adulteração de votos, temos um cenário real de perda contundente de espaço por parte da esquerda na sociedade. Ainda que no poder isso não se evidencie, pelo contrário, se consolide.
Ademais, tudo que vem acontecendo no mundo neste momento, principalmente com o que vem sendo exposto por conta da Guerra contra Israel, fica cada vez mais claro para a sociedade que existe uma tentativa de impor uma realidade dos fatos ou uma cosmovisão de mundo contraria da maioria das pessoas. Forçam guela abaixo uma dissonância que repercute e se transforma numa dissonância cognitiva naqueles que compram e acreditam no discurso corrente, principalmente via mídia, pregando o que não se sustenta e muito menos praticam.
Diferente da história infantil, essa pergunta retórica de "quem tem medo de lobo-mau" mostra que não são os três porquinhos puros e inocentes, que desprezam a prudência e o conhecimento da capacidade do inimigo. "Quem tem medo do lobo-mau" são, na verdade, os verdadeiros lobos e abutres. Oportunistas que são, que ao longo da história mostraram viver às custas do povo, de forma nababesca, com tudo do bom e do melhor, sujeitando, ainda nos dias de hoje, populações inteiras às mazelas da pobreza e da falta da liberdade. Os porcos de Orwell, em A Revolução dos Bichos. Estes verdadeiros sanguessugas das sociedades apoiado por ovelhas (muitas transformadas em carneiros bravos e agressivos) que apenas repetem ao cabo, sem cessar o "quatro patas bom, duas patas ruim" da vez.
Que todos amadureçam e encarem o mal como ele deve ser encarado. Com responsabilidade e dimensão de que para eles tudo e qualquer atitude é válida para conquistar o objetivo. Ou seja, são capazes de qualquer coisa onde "os fins justificam os meios". Vide a guerra contra Israel. São além de maquiavélicos, diabólicos! Não tenhamos medo dos verdadeiros lobos-maus.
Fonte/Créditos: Gustavo Reis
Créditos (Imagem de capa): Gustavo Reis