A “eleição” que conduziu Maduro ao último mandato carece de legitimidade aos olhos de Washington — o governo norte-americano não o reconhece como presidente, o que o desqualifica por completo como interlocutor diplomático. Isso o transforma, inequívoca e logicamente, em um narcotraficante internacional, no comando do infame Cartel de los Soles.
A menção ao Cartel de los Soles: história e estrutura
O Cartel de los Soles surgiu como um conjunto de redes de tráfico dentro do Estado venezuelano, com sua designação originada nas insígnias solares presentes nos uniformes de militares de alta patente envolvidos nessas operações ilícitas. Documentos judiciais dos EUA indicam que, desde pelo menos 1999, Nicolás Maduro, Diosdado Cabello e outros oficiais do alto escalão do regime lideraram e gerenciaram esse cartel, usando instituições estatais — das Forças Armadas à inteligência e ao Judiciário — para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos EUA.
Acusações e penalidades no exterior
No exterior, Maduro e Cabello enfrentam acusações graves: narco-terrorismo, tráfico internacional de drogas, uso de armamento pesado, com penas mínimas obrigatórias que chegam a décadas, inclusive prisão perpétua. Diosdado Cabello, apontado como chefe do cartel, foi sancionado pelo Tesouro dos EUA e teve recompensa por sua captura aumentada de US$ 10 milhões para US$ 25 milhões em 2025.
A relevância de Maduro para o Foro de São Paulo
A Venezuela de Maduro tem papel central no Foro de São Paulo, fórum que desde o início dos anos 1990 congrega movimentos e partidos de esquerda da América Latina e Caribe, como o PT do Brasil e o Partido Comunista de Cuba. A presença de Maduro nessa arena reforça sua legitimidade simbólica no campo político internacional, enquanto na prática perpetua um regime autoritário e criminoso. A medida de Trump atinge justamente esse cerne: não se trata apenas de derrubar um tirano, mas de desmantelar seu prestígio internacional.
Por que a ação de Trump merece elogios?
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Precisão jurídica e política: ao não reconhecer a legitimidade de Maduro, os EUA empregam uma lógica coerente para tratá-lo como criminoso, não como chefe de Estado.
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Combate ao crime transnacional: utilizar os recursos militares e de inteligência contra um regime que se estrutura como cartel é uma resposta proporcional à ameaça que representa.
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Redução da influência geopolítica: a medida não só ataca o regime, como enfraquece a rede de solidariedade ideológica que o sustenta — a começar pelo Foro de São Paulo.
Este movimento sinaliza que, diante de regimes que se valem da corrupção e do narcotráfico para se perpetuar e exportar violência, a linha entre política externa e política de segurança nacional torna-se necessária e legítima. Afirmar que a verdade dos fatos — ausência de legitimidade democrática — se impõe sobre o falso manto da soberania representa uma virada ética e estratégica na política hemisférica dos EUA.