Quando dizem que o problema do Brasil é cultural, isso abrange um universo gigantesco de coisas. Afinal, cultura é um conjunto amplo que inclui crenças, valores, práticas, comportamentos e conhecimentos, por exemplo. Ou seja, é um "tudo".
E, à medida que esse "tudo" se torna mais raso, mais pobre e mais enfraquecido, a capacidade de compreensão dos fatos — e, portanto, o entendimento da realidade — fica cada vez mais distante.
Olavo de Carvalho, certa vez, escreveu:
"O óbvio dos óbvios. Uma democracia não pode ser instaurada por meios democráticos: para isso, ela teria de existir antes de existir. Nem pode, quando moribunda, ser salva por meios democráticos: para isso, teria de continuar saudável enquanto vai morrendo. O assassino da democracia leva sempre vantagem sobre os defensores dela. Ele vai suprimindo os meios de ação democráticos e, quando alguém tenta salvar a democracia por outros meios, os únicos possíveis, ele o acusa de antidemocrático. É assim que os mais pérfidos inimigos da democracia posam de supremos heróis da vida democrática."
Olavo também escreveu:
"A maior parte dos seres humanos não tem um pingo de interesse por um treco chamado 'realidade'."
E disse, entre tantas outras coisas:
"O brasileiro de hoje em dia é aquele sujeito valente que teme olhares e caretas como se fossem balas de canhão, que enfia o rabo entre as pernas à simples ideia de que falem mal dele, que troca a honra e a liberdade por um olhar de simpatia paternal de quem o despreza."
Nesses três trechos do pensamento de Olavo de Carvalho, encontramos o problema da nossa solução. Nossa solução se comporta mal, não entende o que é o Brasil e muito menos compreende a grandeza de agir corretamente diante do problema.
E quem é a nossa solução? A sociedade, representada em cada uma de suas camadas e instituições. Sem homens corajosos para compreender tudo isso — principalmente os líderes —, nada adianta. E não adianta, tampouco, se iludir achando que estamos enfrentando o problema.