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Segunda-feira, 11 de Maio 2026
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O Preço da Liberdade

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O Preço da Liberdade
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Em 1914, um notório homem deu início a um movimento cujo intuito fora a padronização da confecção de peças automobilísticas a fim de abreviar o tempo de produção. Falamos de Henry Ford e seu movimento conhecido como Fordismo.

Além de facilitar a comercialização das peças, a mudança também otimizou a montagem dos automóveis e diminuiu os custos, barateando portanto, o produto final.

A inovação foi tão bem sucedida, que a indústria americana a incorporou, desencadeando uma massiva padronização dos mais variados tipos de produtos os quais incluíram: eletrodomésticos, vestuários e até gêneros alimentícios, contribuindo em parte, para o desenvolvimento da indústria, da aquisição de bens e produtos e, inevitavelmente, culminando com a uniformização comportamental.

Chama a atenção o quão rápido a sociedade aderiu a esta proposição, tendo em vista que, se por um lado a medida facilitou o cotidiano e favoreceu a economia, por outro, tolheu a autenticidade e a livre proposição de ideias, dificultando à partir daí o despertar mais criativo dos indivíduos.

Buscando compreender tais eventos, me reporto aos anos 50, e encontro o experimento do psicólogo Solomon Asch, o qual  visou entender o comportamento dos soldados alemães nos campos de concentração, os quais utilizavam dos mais variados requintes de crueldade.

Através deste experimento ele buscou responder se todos os soldados eram de fato psicopatas ou haveria alguma justificativa para seus atos.

O teste consistiu em avaliar alguns voluntários, quando ao interagirem com atores em uma banca, deveriam responder a um questionário. Todos os membros desta banca, exceto o voluntários, eram orientados em como responder às questões.

 Ao apresentarem figuras do lado direito e esquerdo, a exigência era para que apenas apontassem qual figura da direita era semelhante a da esquerda. Nas primeiras vezes o grupo respondia em conformidade com o óbvio. Entretanto, nas respostas posteriores, o grupo de atores (orientado e coeso) passava a responder com respostas absurdas. O resultado é que mesmo o voluntário sabendo da inconformidade da resposta da maioria, respondia em concordância com o grupo, contrariando sua própria percepção do correto. 95% dos participantes contrariaram pelo menos uma vez a sua opinião, em virtude da opinião do grupo.

Este fenômeno é chamado de Conformidade Social e traz à tona uma necessidade instintiva do ser humano em ser aceito. Isso porque, em situações de quebra de vínculos sociais, rejeição e desprezo, ativamos em nosso cérebro o Giro do Cíngulo Anterior Dorsal, uma estrutura responsável pela expressão da dor física.

Um outro experimento muito interessante realizado por Stanley Milgran na década de 60, também utilizou voluntários para demonstrar o quanto tendemos a obedecer autoridades. Neste, cabia ao voluntário, após participar de um suposto sorteio no qual colocava-o na posição de professor, ensinar a um suposto aluno (ator) que permanecia na sala ao lado.

O aluno após receber as instruções deveria responder corretamente à pergunta do professor (voluntário). Caso respondesse errado, o professor deveria aplicar-lhe um choque que iniciava-se à partir de 15 v e aumentava gradativamente à medida que o aluno errava. Obviamente o aluno errava todas as respostas com a finalidade de induzir ao professor aumentar a voltagem, a fim de puni-lo. Mesmo sob protestos e ouvindo os gritos fingidos do suposto aluno, 65% dos participantes chegaram ao nível máximo (400 v).

Esses dados reforçam a fragilidade emocional, a necessidade de aceitação e a obediência à figura de um líder, do ser humano.

Robert Lent, neurocientista e professor brasileiro, em sua magnífica palestra pela Academia Brasileira de Letras passeia historicamente por vários povos e suas buscas em entender a alma humana. Estaria ela contida em nosso coração ou em nosso cérebro?

Embora romanticamente o coração sempre esteve associado a sentimentos e, através de alguns experimentos demonstraram que os indivíduos os quais obtiveram alguns algoritmos denominados Ek elevados eram mais emotivos, o cérebro e sua vasta rede de conexões e, 2,6 quatrilhões de sinapses, demonstrou ser a sede de nossa alma.

Especificamente no plano frontal encontramos a área responsável pelo julgamento moral, ou aquela que freia nossos impulsos mais criativos. Assim, no momento dos insights das pessoas criativas e desobedientes aos padrões, esta área é inativada para que áreas responsáveis pela criatividade ou por tomadas de decisões mais ousadas sejam ativadas.

Além disso, o cientista e psicólogo Michael Tomasello através de seu experimentos concluiu que a nossa inteligência se dá através de dois níveis: a chamada Inteligência Geral e Inteligência Cultural.

A primeira, refere-se a nossa capacidade de percepção do espaço, relações de causa e efeito entre outras. Já a inteligência cultural diz respeito à nossa Meta Cognição ou seja, a nossa capacidade de pensar sobre o nosso pensar. Em suma, seria o senso crítico sobre as nossas ideias. Interessantemente, esta capacidade é estimulada à partir de nossas relações interpessoais.

Embora você deva estar se perguntando qual meu objetivo em te apresentar esses dados, querido leitor; o meu intuito nesta noite de domingo é te alertar sobre o momento em que vivemos. Em um período crítico onde a nossa autonomia está sendo cerceada dia após dia, se faz necessário entender qual o fenômeno tem balizado as ações irracionais da nossa sociedade. Sim, porque até pouco tempo não imaginávamos que nossas liberdades seriam tão fortemente atacadas, e nem acreditávamos na volta de um regime totalitário mundial.

E quando buscamos encontrar algum sentido da insurgência deste fenômeno social de apoio ao incorreto ou ao absurdo, as teorias acima se apresentam razoavelmente plausíveis.

Deste modo podemos obter algumas conclusões:

Embora não encontremos aceitável razão dos ataques por parte de alguns seguimentos da sociedade, especialmente os jovens, sabemos que são sistemáticos e orquestrados por grupos que, mesmo contrariando suas opiniões e valores pessoais, se assim houver, tenderão a prosseguir pela causa ideológica.

A efemeridade e a volatilidade das relações, bem como algumas estratégias educacionais, destituíram figuras primordiais como: pais, familiares e autoridades dos postos de liderança da geração vigente; o que permitiu a tomada destas funções por radicais ideológicos; promovendo com isso, a diminuição da crítica dos jovens sobre seus pensares.

Ao que tudo indica, líderes natos e personalidades que modificaram os conceitos através da história, são aqueles que experimentaram a coragem de contrariarem aos grupos vigentes, acreditaram em suas verdades e deram voz às suas criatividades.

Munidos destas informações e entendimentos, cabe-nos sobretudo, fortalecer vínculos com nossos filhos e jovens das gerações vindouras, a fim de apresentá-los à verdade dos fatos, tonificarmos seus sensos críticos e fortalecermos suas autoestimas, evitando portanto, suas adesões às ideologias equivocadas.

Além disso, é imperativo que a direita deixe de lado suas divergências em prol do bem comum. É necessário um esforço em conjunto a fim de se estabelecer consensos e estratégias neste momento tão delicado. Somente unidos, tendo o mesmo entendimento, ocupando postos estratégicos e utilizando a mesma linguagem, teremos algum êxito contra o sincronismo dos ataques aos quais temos sofrido.

E por fim, trazer à evidência líderes inteligentes, carismáticos e perseverantes; que tenham compromisso com a verdade, que inspirem positivamente nossa sociedade e que estejam dispostos a contribuírem das mais variadas formas: através de patrocínios, ensino, exemplos e ideias inovadoras em prol da liberdade e do combate ao totalitarismo. É preciso coragem e ousadia.

Você está preparado?

Este é o preço da Liberdade.

 

 

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