A Jornada de Iosif Vissarionovich Dzhugashvili para o Poder e a Tragédia de uma Era.
Nasci nas cinzas da miséria, em 1878, como Iosif Dugachvili, na Geórgia. A fome e a perda constante me endureceram desde cedo, forjando um desejo inabalável de poder para nunca mais sentir a dor da necessidade.
Minha jornada rumo ao comunismo começou em 1899, quando mergulhei na clandestinidade para aprender as artes da revolução. Comunistas locais foram meus mestres, mas eu ansiava por algo mais. Marx, Plekhanov e Lenin se tornaram meus guias.
A Revolução Bolchevique de 1917 foi minha oportunidade de brilhar. A política tornou-se meu tabuleiro, e minha ambição não conhecia limites. A morte de Lenin abriu as portas para minha ascensão, uma escalada marcada pela megalomania.
A expulsão de Trotsky foi um capítulo escuro em minha história. Desavenças pessoais e diferenças ideológicas levaram à sua exclusão, e seu exílio no México acabou em assassinato. O "homem de aço" não tolerava sombras no caminho do poder absoluto.
O "Grande Terror" de 1937 foi o ápice da minha obsessão por traidores. Delações, conspirações e acusações varreram a nação. O decreto 00447 autorizou a caça aos "antissoviéticos", e aqueles que ousaram questionar meu domínio foram eliminados. Até mesmo amigos que me ajudaram a chegar ao poder não foram poupados.
A coletivização agrícola forçada da década de 1930, especialmente na Ucrânia, resultou no Holodomor. Milhões pereceram enquanto eu exigia metas impossíveis de fornecimento de grãos. A obsessão pelo controle absoluto culminou em sentenças de morte para amigos íntimos, uma traição necessária para manter meu reinado.
A Segunda Guerra Mundial trouxe uma aliança conveniente com Hitler, mas a traição foi inevitável. A Operação Barbarossa me pegou desprevenido, mas alianças foram formadas com o Ocidente para derrotar o Eixo.
Quem sou eu? Iosif Vissarionovich Dzhugashvili, sim, esse é meu nome de nascimento. Mudei meu nome, rejeitei minha família, meus amigos. Estou em meu leito de morte, sozinho, e creio que Deus, que tanto reneguei, esteja neste momento da verdade da vida. Um moribundo que morrerá, e esse corpo só será encontrado depois de dois dias, porque todos os que me rodeiam têm o pavor nos olhos ao proferirem meu nome. Provavelmente, serei velado por milhões de pessoas que enganei... talvez aquela pobrezinha da Engelsina Markizova venha me trazer flores como fez uma vez e me perdoe por ter sido o responsável pela execução brutal do seu pai e pela morte de sua mãe. O peso dos meus atos me acompanhará para além da mortalidade.
Nota da Autora:
Este relato fictício, intitulado "O Crepúsculo de um Monstro", apresenta uma abordagem imaginária da vida e dos feitos de Stalin. Embora as informações históricas sobre Josef Stalin e suas ações sejam reais, é crucial esclarecer que a "autobiografia" aqui apresentada é uma criação artística. Não se trata de uma reflexão genuína de Stalin no leito de morte, mas sim de uma tentativa de explorar, por meio da liberdade artística, os cantos mais sombrios e inexplorados da história. Este texto visa oferecer uma perspectiva imaginária e não deve ser interpretado como um documento histórico autêntico.
Fonte/Créditos: Ana Luisa Stoffelshaus
Créditos (Imagem de capa): Hockstader, Lee (10 de Março de 1995). «From a ruker's embrace to a life in disgrace». The Washington Post (Arq. em WikiWix Archive)