O alfabeto extenso para a aeronáutica já é algo tão charmoso que as crianças quando brincavam de aventuras aéreas, algumas vezes usando apenas os braços como asas, tratavam de falar as letras que conheciam e outros termos, como "Bandido nas seis!".
Meu amor pela aeronáutica é algo tão antigo quanto a minha memória. Tenho a grande honra de ser sobrinho-neto do Luiz Felipe Perdigão, que pilotou seu P-47 na Itália contra os alemães, em nosso esquadrão, o 1o GavCa. Tive a felicidade de aos 7 anos de idade voar numa máquina especial, um Concorde da Air France, indo do Rio até Paris em esfuziantes seis horas! Isso contando uma parada em Dakar, no Senegal, para reabastecimento. É uma aventura voar a Mach 2 (duas vezes a velocidade do som). Recomendo! :)
Depois, com o advento dos computadores, comecei a pilotar simuladores de todos os tipos até chegar aos meus preferidos, os de combate aéreo da segunda guerra mundial. E tratei de experimentar as máquinas e armas da guerra moderna, como o A-10 Tank Killer, o Eurofighter Typhoon e, para operações em porta-aviões, o F-18.
Gostei tanto da coisa que fiz curso de pilotagem de monomotores (Aeromot-600, o Guri) e um vôo acrobático na Inglaterra, onde pude experimentar a doce sensação de pesar 3 vezes o meu peso, saindo dos meus 70 Kgs habituais para incríveis 210 Kgs! É como ter um elefante acomodando o traseiro enquanto se senta no seu colo. Tenho que aproveitar enquanto esse tipo de comentário não é crime!
Tudo isso para dizer a vocês que fui ao cinema assistir ao Top Gun Maverick com altas expectativas. De fato, estava novamente com 12 anos sentado naquela cadeira ouvindo o sensacional hino composto por Harold Faltermeyer. O filme começa com tomadas das equipes de convés e vários aviões pousando e decolando. Motores rugindo, forças anormais em ação e homens com bagos de aço acelerando aquelas máquinas armadas até os dentes. Uma ode ao que faz de um homem, um homem.
Quem não quiser ser massacrado por uma barragem de spoliers, recomendo que pare por aqui. Você foi avisado, caro leitor! 😀
---- SPOILER ALERT -- SPOILER ALERT ----
Bem, o filme, para ser excelente, teria que piorar muito! É simplesmente sensacional. Todos os detalhes estão presentes e até os personagens antipáticos funcionam e acabam nos dando muitas alegrias.
Uma emocionante homenagem ao grande Val Kilmer, o Iceman da primeira versão, é a cereja do bolo. O diálogo entre Maverick e Iceman é um esplendor, quando um grande amigo não deixa de esculachar o outro, arrastando a demanda mimizenta regressista no chapisco com muita alegria e pujança.
A grande falha do primeiro filme, o caso amoroso do herói, é consertado nessa versão. Colocaram simplesmente a mais bela atriz de todos os tempos para incentivar nosso herói a fazer o impossível duas vezes. Sinceramente, com a Jennifer Connely aplaudindo eu acho que cumpriria a missão mesmo com um teco-teco faltando uma asa. E ela ainda é dona de um bar! De um bar! Enfim, sigamos, sigamos.
Tenho que destacar aqui que a extrema arrogância do Maverick encontra enfim seu rival num personagem que seria odioso se não fosse legal demais. Com callsign "Hangman" o piloto com a maior autoestima do planeta é detestado pelos colegas até que mostra que no fundo é gente boa. E é o melhor de todos, claro. O desconforto dos regressistas ao ver tamanha exposição de excelência e recompensa meritocrática é algo palpável. Se você for até a janela em horário de sessão e respirar fundo, vai sentir a dor deles no ar. Experimente, é uma delícia.
Maverick se vê obrigado a voar com o filho do Goose, seu parceiro de F-14 que morreu ao ejetar no primeiro filme. Depois de muitas peripécias sensacionais um percebe o valor do outro e o fim é nada menos que inacreditável.
Ritmo sensacional, valores no lugar certo, nem sequer uma molécula de lacração, com a Jennifer Connely e aviões de caça. Provavelmente será um dos 20 maiores filmes de todos os tempos.
Se tem um alvo que as bombas guiadas a laser (com o código 1688 ainda por cima!) acertam com precisão, é a narrativa anti-masculina das redações de jornal. Boom!
Há esperança em Hollywood, amigos! Para cima deles! Bravo - 22
(*) - Na primeira foto, o belíssimo Concorde. Na segunda foto, um elemento de F-18 SuperHornets deslizando graciosamente pelos céus.
Prof. Eduardo Vieira - 30/maio/22