Recorrerei a alguns versos de um antigo samba-de-enredo, de um já longe 1983, para tratar desse momento paranóico que muitos estão vivendo diante de uma dura realidade.
"A imagem do santo
Foi feita para quem tem devoção
Este santo faz milagre
Lá se vai a procissão"
Os versos acima se encaixam como uma luva para o comportamento de alguns brasileiros, nesse momento político do país.
Pessoas de fé (falo do crer e não de religiosidade), acreditam fervorosamente em "imagens criadas" (de barro, em sentido figurado), virando devotas dessas criações.
Imagens de "santos milagreiros" se formaram e se estabeleceram dentro dessa corrente política chamada direita e, como que numa procissão (do mundo real ou virtual), são "carregadas" por alimentar a promessa de milagres à uma verdadeira legião de devotos.
E, todos os dia, uma nova promessa se repete para quem quer acreditar em algo que é baseado tão somente na crença e na subjetividade de supostos sinais, trocando a realidade pela "esperança da vez".
Desse modo, nos deparamos com teorias que se transforam em verdsdeiras paranoias , sempre estimulada por "profetas do tic tac", que criam ou endossam narrativas e duvidam da lealdade daqueles que ousam questioná-las.
Questionamentos esses que, em muitos casos, atrapalham a popularidade na rede social, a audiência das lives e o faturamento de pix e superchats.
Talvez por isso sempre vejamos a acusação mínima e peremptória de falta de fé contra os que usam a racionalidade para analisar uma situação tratada, de fato, somente como crença numa "bem-aventurança" (desejada por todos nós) que está por vir.
Não custa nada lembrar para esse Brasil:
"Brasil, devagar com o andor, porque o Santo é de barro".
Portanto, é triste ter de dizer isso, todavia é necessário: Acorda, Mané!
A boa-fé de muitos é a grande estimuladora da má-fé de uns poucos, que se aproveitam desse momento para fazer fama, faturar e, por consequência, iludir milhares de pessoas com certezas vãs.
Não se trata de descrença, desistência ou falta de fé. Continuo acreditando, esperançoso mas ciente de que vivemos um momento delicado e que, certezas e informações privilegiadas é tudo aquilo que raríssimos jornalistas têm.
O resto, ou é maluquice ou é vigarice. Simples assim.
Fonte/Créditos: Gustavo Reis - Versos retirados do samba-enredo dO GRES. Unidos da Tijuca
Créditos (Imagem de capa): Creative Commons