A recente saga política brasileira revelou uma peculiar faceta de uma parcela do conservadorismo nacional: a crença quase messiânica de que Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, seria um salvador dos interesses do Brasil. Essa esperança, contudo, parece ter sido construída sobre um profundo mal-entendido da política externa americana. A expectativa de que Trump manteria e ampliaria sanções via Lei Magnitsky contra figuras do judiciário brasileiro ou que manteria taxações se provou uma ilusão, ignorando a máxima que rege a Casa Branca: America First.
As ações de Trump, fossem elas gestos de aproximação ou ameaças comerciais, nunca tiveram o Brasil como seu principal destinatário. O verdadeiro público de seu espetáculo político sempre esteve em casa, entre seus eleitores e opositores. Ao agir, ele buscava fortalecer sua base e projetar uma imagem de força no cenário doméstico. Para o Brasil, o efeito colateral foi um espelho cruel, refletindo a ausência de estadistas genuinamente comprometidos com a soberania e o bem-estar da nação, mais preocupados em buscar validação externa do que em construir um projeto de país.
Enquanto a elite política brasileira se digladiava por acenos de Washington, a percepção que emerge é a de um povo anestesiado. A população, imersa no ciclo vicioso do entretenimento – do futebol ao carnaval –, parece distante das decisões que moldam seu futuro, delegando a responsabilidade cívica em troca de uma paz aparente e efêmera.
O ponto mais desconcertante dessa dinâmica, no entanto, foi a suposta reversão na aplicação da Lei Magnitsky. Para muitos, soa incompreensível que uma nação que se projeta como bastião da democracia, como os EUA, pudesse, por meio de seu Senado e Judiciário, simplesmente anular a punição contra um indivíduo, mesmo diante de “supostas provas” de violações de direitos humanos. Tal fato não apenas alimenta teorias sobre a flexibilidade dos princípios democráticos, mas também impõe um constrangimento internacional, questionando a seriedade e a imparcialidade de mecanismos criados para defender a justiça em escala global.
Se o Brasil tem saída? Tem sim, via marítima, terrestre ou aérea. Vai depender de seu bolso.
Créditos (Imagem de capa): Claiton Appel
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se