Dia 09 de julho a Argentina comemora sua Independência, contudo, neste ano, a data não foi de celebração, mas de protestos contra o governo.
Milhares de pessoas foram às portas da Casa Rosada para pedir que Alberto Fernandez, Presidente eleito em outubro de 2019, renuncie e vá para Cuba, também foram ouvidos gritos de “Argentina sem Cristina”.
A insatisfação parece óbvia: a economia argentina está debilitada, sofrendo com uma inflação de mais de 60% ao ano, o dólar paralelo, o que rege a economia popular, disparando a mais que o dobro do oficial (hoje, o câmbio oficial está em U$1= $126 pesos, paralelo $260 pesos).
Talvez o estopim para a revolta da população seja a saída do Ministro da Economia, Martín Guzmán, no dia 02/07, uma vez que não houve consenso no governo sobre a atuação de sua pasta. A Vice-Presidente Cristina Kirchner, que o indicou no começo da gestão, passou a criticá-lo duramente após o acordo com o FMI para reestruturar uma dívida de US$ 44 bilhões do país com a entidade. Ao passo que o Presidente Alberto Fernández acredita na necessidade de um compromisso para pagar a dívida, para que a Argentina não fique ainda mais afastada do mercado internacional, enquanto se opõe à manutenção do nível de emissão de moeda realizado durante a pandemia, para não alimentar a inflação.
Guzmán considerava necessário um ajuste o aumento na conta de energia, que hoje tem subsídios. Cristina, à época em que governou a Argentina, menosprezava a alta de preços e colocava ênfase no gasto social, o que continua defendendo, além de querer segurar aumentos à força, o que era inexequível para Guzmán. Algo parecido com o que Dilma Roussef fez no ano de 2013 e que até hoje os brasileiros vêm pagando.
Neste cenário, surge o nome de Silvina Batakis para ocupar a pasta da economia, uma vez que Fernandez e Kirchner em consenso, acreditaram que seria a pessoa certa para afastar a maré de azar do país.
Silvina Batakis tem 53 anos de idade, sua carreira se desenvolveu sempre na função pública. Seu cargo mais relevante foi como ministra da Economia na província de Buenos Aires entre 2011 e 2015, governada então pelo peronista Daniel Scioli, atual ministro de Desenvolvimento Produtivo. Aliada de Kirchner, Batakis é comunista, de ascendência grega e alemã, é adepta da discrição e do estilo de condução descontraído dentro de sua equipe de trabalho, com quem frequentemente compartilha chá mate e lanches. Faz o tipo chefe descolada, new hippie e torcedora do Boca Juniors (cujo último título internacional foi a Libertadores da América de 2007). Sua nomeação fez o valor do dólar no mercado informal, que já vinha batendo recordes, subir ainda mais. Economistas estimam que 40% dos argentinos vivem na pobreza.
A manifestação, denominada Argentinazo, foi convocada pelas redes sociais, teve como destino o Obelisco no centro de Buenos Aires, marco da independência argentina. Segundo o jornal Clarín, os manifestantes gritavam “viva a pátria” e “governo de ladrões”, segurando cartazes com a imagem de Kirchner vestida de presidiária ao estilo Pixuleco.
Outras cidades importantes como Rosário, Mar del Plata e San Miguel de Tucumán também aderiram aos protestos.
O alvo dos protestos foi a crise econômica na Argentina, cuja inflação de 29,3% acumulada de janeiro a maio representou o maior nível para os cinco primeiros meses do ano desde 1991. As previsões feitas pelo Banco Central indicam que a inflação será de 72,6% neste ano e de 60% em 2023.
Enquanto isso, temos uma cozinheira argentina gritando aos quatro ventos que quem apoia o governo Bolsonaro “ou é muito burro ou escroto”, mas segundo o relatório da Focus, o mercado projeta uma inflação menor para 2022 no Brasil. A projeção saiu de 7,96% na última semana para 7,67% (ao ano) nesta semana. Além disso, a previsão de inflação para o ano de 2023 é de 5,09%, já para 2024 a expectativa é de 3,30%. A projeção para o PIB é de crescimento de 1,59%, enquanto o dólar está na casa dos R$ 5,13.
Para finalizar deixo uma pergunta (retórica, claro): por que Paola Carosella esconde o que acontece na Argentina, enquanto mantém seus restaurantes caros numa terra governada por “um burro e escroto”?
Fonte/Créditos: https://pt.segirt.com/ e https://www.noticiasaominuto.com.br/
Créditos (Imagem de capa): Foto de Daria Shevtsova by pexels