A descoberta de que um parceiro gosta de usar peças íntimas femininas pode causar surpresa e levantar dúvidas dentro de um relacionamento. No entanto, especialistas afirmam que esse comportamento, por si só, não significa que a pessoa queira mudar de gênero ou que sua orientação sexual tenha mudado.
Segundo Monik Monteiro, docente de pós-graduação em Sexualidade Humana do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), o uso de calcinhas ou outras peças íntimas femininas pode estar relacionado a um fetiche sexual, ou seja, a um objeto ou elemento que desperta excitação, sem qualquer ligação obrigatória com identidade de gênero.
"O fetiche está relacionado ao objeto do desejo, ao que excita a pessoa", explica a especialista.
Ela ressalta que ainda existe muita confusão entre diferentes conceitos da sexualidade humana, o que acaba alimentando preconceitos e interpretações equivocadas.
Entenda a diferença
Para compreender melhor o assunto, especialistas destacam que existem conceitos distintos:
- Orientação sexual: refere-se por quem a pessoa sente atração afetiva e sexual, como heterossexual, homossexual, bissexual ou pansexual.
- Identidade de gênero: diz respeito ao gênero com o qual a pessoa se identifica internamente.
- Fetiche sexual: envolve objetos, roupas, acessórios ou práticas que despertam excitação e fazem parte da vivência sexual de algumas pessoas.
De acordo com a docente, o fato de um homem sentir prazer ao usar uma peça íntima feminina não permite concluir, automaticamente, que ele deseje fazer uma transição de gênero ou que tenha outra orientação sexual.
Quando o comportamento merece atenção?
Monik Monteiro afirma que os fetiches fazem parte da diversidade da sexualidade humana e, em muitos casos, não representam qualquer problema.
A atenção passa a ser necessária quando o comportamento provoca sofrimento, interfere na vida social ou se torna a única forma de obtenção de prazer sexual, afetando os relacionamentos ou o cotidiano.
O diálogo é o caminho
Para casais que se deparam com essa situação, a recomendação é evitar conclusões precipitadas e priorizar uma conversa aberta e respeitosa.
"A melhor forma é entender que ele pode ser uma forma de prazer", orienta a especialista.
Segundo ela, o diálogo permite que o casal compreenda melhor os limites, expectativas e desejos de cada um, favorecendo uma relação baseada no respeito mútuo. Caso o fetiche cause sofrimento ou conflitos persistentes, a orientação é buscar acompanhamento com um profissional especializado em sexualidade humana ou saúde mental.
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Peter Dazeley/Getty Images
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