Doença envolve fatores hormonais, inflamatórios, genéticos e ambientais que favorecem o reaparecimento das manchas
Quem convive com melasma costuma enfrentar um ciclo conhecido: as manchas clareiam após o tratamento, mas, algum tempo depois, voltam a aparecer. Essa característica faz parte da própria doença e ajuda a explicar por que o melasma continua sendo um dos maiores desafios da dermatologia.
Durante muitos anos, acreditou-se que o problema era provocado apenas pela exposição ao sol. Hoje, porém, a medicina já reconhece que o melasma é uma doença dermatológica crônica e multifatorial, que envolve não apenas o aumento da produção de melanina, mas também processos inflamatórios, alterações vasculares, influência hormonal e mudanças na estrutura da pele.
"O melasma deixou de ser visto como uma simples alteração de pigmentação. Clarear a mancha é apenas uma parte do tratamento. O grande desafio é controlar os mecanismos que favorecem seu reaparecimento", explica Mônica Felici, especialista em dermatologia regenerativa integrativa.
Por que o melasma volta?
A doença acomete principalmente mulheres entre 25 e 50 anos e é mais frequente em pessoas com fototipos intermediários e altos, característica comum na população brasileira. Histórico familiar, gestação, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal também aumentam o risco.
Embora a radiação solar continue sendo um dos principais desencadeadores, ela não é a única responsável. Calor intenso, luz visível, alterações hormonais, inflamações da pele e até fatores relacionados ao estilo de vida podem contribuir para o agravamento do quadro.
Segundo a especialista, um dos equívocos mais comuns é acreditar que o uso diário de protetor solar seja suficiente para controlar a doença.
"Sem dúvida, a fotoproteção é indispensável, mas ela, isoladamente, dificilmente consegue controlar o melasma. Existem pacientes que utilizam corretamente o protetor solar e, ainda assim, apresentam recorrências. Isso acontece porque diferentes fatores continuam estimulando a produção de pigmento", frisa.
Impacto emocional
Além do aspecto clínico, o melasma costuma provocar importante impacto emocional. Como as manchas aparecem predominantemente no rosto, muitos pacientes relatam perda da autoestima, insegurança e desconforto em situações sociais. A recorrência frequente também contribui para a frustração de quem já passou por diversos tratamentos.
Para Mônica, o diagnóstico deve considerar não apenas as características das manchas, mas também o histórico hormonal, a rotina de exposição ao sol, a qualidade da pele, hábitos de vida e outros fatores capazes de influenciar a evolução da doença.
Essa visão faz parte da dermatologia integrativa e regenerativa, área em que a médica atua e que busca compreender a pele em conexão com o funcionamento do organismo. A partir dessa avaliação, o tratamento pode reunir fotoproteção, ativos despigmentantes, procedimentos realizados em consultório e tecnologias específicas, sempre de forma personalizada.
"Não existe uma fórmula única para tratar o melasma. Cada paciente apresenta fatores diferentes envolvidos na doença. Quanto mais individualizada for a estratégia, maiores são as chances de controlar as recorrências e alcançar resultados mais duradouros", conclui Mônica
Fonte/Créditos: Terra
Créditos (Imagem de capa): Foto: Matheus Campos
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