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Terça-feira, 28 de Abril 2026
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IPCA-15 acelera para 0,89% em abril, com pressão de alimentos e combustíveis

Prévia da inflação oficial mostra avanço de 2,39% no ano e de 4,37% em 12 meses. Alimentos consumidos em casa e combustíveis lideraram as altas, e responderam por cerca de 65% do resultado de abril.

IPCA-15 acelera para 0,89% em abril, com pressão de alimentos e combustíveis
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, subiu 0,89% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,37% em 12 meses.

O número ficou próximo das projeções de economistas, que esperavam uma alta de 0,95% no mês e inflação acumulada de 4,45% em 12 meses. Em abril de 2025, a variação havia sido menor, de 0,43%.

🎯 Mesmo assim, o índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, a meta é de 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.

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Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, alimentação e transportes concentraram as maiores altas. Alimentação e bebidas subiu 1,46% e teve o maior peso no resultado do mês. Na sequência aparece transportes, com alta de 1,34%.

Juntos, esses dois grupos responderam por cerca de 65% da alta do IPCA-15 em abril.

Veja a variação mensal dos preços por grupos:

  • Alimentação e bebidas: 1,46%
  • Habitação: 0,42%
  • Artigos de residência: 0,48%
  • Vestuário: 0,76%
  • Transportes: 1,34%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,93%
  • Despesas pessoais: 0,32%
  • Educação: 0,05%
  • Comunicação: 0,48%

Preço dos alimentos acelera em abril

No grupo alimentação e bebidas, que subiu 1,46% em abril, a maior pressão veio dos alimentos consumidos em casa. A chamada alimentação no domicílio passou de uma alta de 1,1% em março para 1,77% em abril.

Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o resultado reflete uma combinação de fatores que afetaram o custo de alguns produtos ao longo do mês.

“O movimento reflete tanto choques de oferta, fatores climáticos, quanto possíveis repasses da alta dos combustíveis para os custos logísticos”, afirma.

Entre os itens que mais encareceram no último mês estão:

  • 🥕 Cenoura: +25,43%
  • 🧅 Cebola: +16,54%
  • 🥛 Leite longa vida: +16,33%

Já algumas quedas ajudaram a amenizar o resultado, como:

  • 🍎 Maçã: −4,76%
  •  Café moído: −1,58%

Para Lucas Barbosa, parte da pressão recente também está ligada a ajustes comuns em determinados períodos do ano, sobretudo em alimentos frescos.

“A alimentação no domicílio segue bastante pressionada no curto prazo, em parte por reajustes sazonais, especialmente na parte dos in natura”, diz.

Gasolina e diesel pressionam preços de transportes

O grupo transportes também registrou aumento mais forte de preços em abril. A alta passou de 0,21% em março para 1,34%, influenciada principalmente pelo encarecimento dos combustíveis — que os economistas destacam estar ligado ao cenário internacional.

“O resultado reflete os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação doméstica, especialmente por meio dos combustíveis”, diz Sung, lembrando que a alta do petróleo tende a gerar impactos indiretos em diferentes cadeias produtivas.

No período, os preços desse conjunto de produtos saíram de uma leve queda de 0,03% para uma alta de 6,06%.

Os combustíveis tiveram peso relevante na prévia da inflação de abril, com destaque para a alta do diesel e da gasolina.

  •  Gasolina: +6,23%
  • 🚛 Óleo diesel: +16%
  • 🌽 Etanol: +2,17%
  • 🚗 Gás veicular: −1,55%

Já Barbosa também observa que os preços dos combustíveis vêm subindo nos postos mesmo sem um reajuste oficial da Petrobras até agora.

“Por hora, não vimos nenhum tipo de reajuste da Petrobras e mesmo assim os preços nos postos estão subindo, o que acabou contribuindo para o resultado do índice”, diz.

Além dos combustíveis, outros itens ligados ao transporte tiveram comportamentos diferentes ao longo do mês. O preço das passagens aéreas, por exemplo, registrou queda após a forte alta observada em março. Em abril, o subitem passou de um aumento de 5,94% para uma redução de 14,32%.

Já no transporte público, os preços tiveram variações mais moderadas. As tarifas de ônibus urbano subiram 0,44% no período. O custo das corridas de táxi teve alta de 0,08%, enquanto as passagens de ônibus intermunicipal avançaram 0,14%.

Também houve aumento no item integração do transporte público, que reúne sistemas que permitem ao passageiro usar mais de um meio de transporte com a mesma tarifa. Nesse caso, a alta foi de 0,90% em abril.

A elevação dos preços dos combustíveis sem reajuste oficial da Petrobras está sob análise e pode ser considerada irregular. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que avalia os indícios de possíveis irregularidades apontados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a fim de verificar se há elementos suficientes para a abertura de uma investigação. Na última sexta-feira (13), a estatal anunciou um aumento de R$ 0,38 por litro do diesel para as distribuidoras. A medida foi divulgada um dia após o governo federal apresentar um pacote de R$ 30 bilhões com o objetivo de conter os impactos da alta do preço do petróleo. Na foto, posto de combustível em Osasco na grande São Paulo, na manhã desta terça-feira (17). — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): Divulgação

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