A Heineken encerrou de forma abrupta, nesta terça-feira (2), as atividades de sua fábrica em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza, e demitiu cerca de 350 trabalhadores, entre funcionários diretos e terceirizados. O fechamento ocorreu apenas um dia após a realização de um treinamento interno, o que aumentou a sensação de surpresa, frustração e insegurança entre os empregados.
Do total, 98 trabalhadores efetivos foram desligados, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Águas Minerais, Cervejas e Bebidas em Geral do Estado do Ceará (Sindibebidas). Além deles, estima-se que aproximadamente 250 terceirizados também tenham perdido seus empregos.
Um técnico eletricista com 15 anos de empresa, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, relatou o clima de tensão vivido nos dias que antecederam o encerramento.
“Os últimos dias foram muito angustiantes. O nível de ansiedade das pessoas na fábrica era muito grande, por conta da incerteza que se tinha”, afirmou.
Fechamento repentino surpreendeu funcionários
Segundo relatos, o treinamento recente havia gerado expectativa de continuidade das operações ou até de melhorias na unidade. Embora a fábrica já fosse considerada tecnicamente defasada, ela seguia em funcionamento havia anos.
Nos meses anteriores ao fechamento, a planta passou por uma redução gradual das atividades, incluindo a desativação de linhas de produção, o que indicava um processo silencioso de esvaziamento.
Funcionários afirmam que a comunicação do encerramento foi feita de forma direta e sem explicações detalhadas. Não houve aviso prévio claro, o que ampliou a insegurança entre os trabalhadores afetados.
Desmobilização ocorreu aos poucos
O primeiro sinal mais evidente ocorreu em julho, com o fim da linha de envase de garrafas. A partir de então, a unidade operava apenas com a produção em latas.
Em outubro, segundo trabalhadores, começou a redução no fornecimento de insumos, como malte de cevada, além da saída de fornecedores. No mês passado, os tanques de produção passaram a ser esvaziados, selando o fim das operações.
“Mesmo assim, muitos acreditavam que a produção poderia recomeçar. Eu não queria acreditar que a fábrica fosse fechar”, relatou o funcionário demitido.
Empresa fala em reorganização
Em nota, a Heineken informou que o fechamento faz parte de uma estratégia de reorganização e eficiência operacional, sem detalhar os motivos específicos para o encerramento da unidade de Pacatuba.
A produção vinha sendo transferida para outras fábricas do grupo, como a de Igarassu (PE), que recebeu investimentos recentes para modernização.
A empresa não informou quantos trabalhadores diretos e terceirizados mantinha na planta nem detalhou medidas para mitigar os impactos sociais das demissões.
Sindicato negocia alternativas
De acordo com Fernando Matos, representante do Sindibebidas, o sindicato confirmou o número de desligamentos e negocia benefícios para os trabalhadores efetivos.
“Ao todo, 98 trabalhadores serão atingidos. A empresa também apresentará propostas de transferência para Pernambuco e São Paulo”, afirmou.
Impacto na economia local
O fechamento da fábrica deve causar forte impacto na economia de Pacatuba, onde a unidade era uma das principais empregadoras. Além das demissões diretas, comerciantes e prestadores de serviço da região também devem ser afetados.
O caso reacende o debate sobre demissões em massa sem comunicação prévia e sobre o papel social de grandes empresas em municípios dependentes da atividade industrial.
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