Jason Miller reage à revelação de que Lula usou celular de Joesley para falar com Trump antes de visita aos EUA
A intermediação do empresário Joesley Batista, sócio da J&F, no contato entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump provocou uma reação contundente de Jason Miller, ex-assessor do republicano. Em publicação no X (antigo Twitter), Miller afirmou que o empresário está “jogando um jogo perigoso pra caralho”.
“O pêndulo sempre volta… e o pêndulo nunca esquece”, acrescentou Miller. Apesar de não ocupar cargo formal na Casa Branca, ele segue próximo ao entorno político de Trump e ao movimento MAGA (Make America Great Again).
A ligação telefônica que desbloqueou a visita de Lula
A declaração de Miller foi motivada por reportagem da CNN Brasil que revelou que Lula conversou com Trump pelo celular de Joesley Batista para viabilizar sua ida aos Estados Unidos. O telefonema teria ocorrido em 30 de abril, sem a participação do ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A visita de Lula a Trump se concretizou dias depois, na quinta-feira, 7 de maio.
Donald Trump Jr. defende aproximação entre EUA e Brasil — e afastamento da China
Enquanto a polêmica sobre a mediação de Joesley repercutia, outro membro da família Trump reforçava os laços com o empresariado brasileiro. Na segunda-feira, 11, em Nova York, Donald Trump Jr., filho do presidente americano, participou de um painel promovido pelo grupo Esfera Brasil ao lado de Wesley Batista, irmão de Joesley.
No evento, Trump Jr. fez uma defesa enfática do distanciamento de EUA e Brasil em relação à China:
“Bem, acho que percebemos nos últimos anos, e certamente durante o tempo de Covid, que a cadeia de suprimentos é realmente importante. E acho que ela foi capturada por pessoas que não necessariamente compartilham nossos valores e nossos interesses. Então, alinhar nossos interesses com outros países de valores semelhantes, desvinculando-nos da dependência em relação à China e outros países, é importante.
E acho que isso leva a uma oportunidade incrível para as relações entre EUA e Brasil. Vocês possuem recursos minerais fantásticos e um setor agrícola excepcional […] Vocês também compartilham um sistema de crenças em comum. O que é muito importante nesse contexto. Sendo assim, penso que a estratégia é manter essas relações, expandi-las, manter o hemisfério unido –por assim dizer– e proteger o nosso “quintal”.
[…] Compreendo que o volume de investimentos da China no Brasil tem sido expressivo. Essa dinâmica não tem surtido bons resultados em vários países do mundo, e eles acabam sendo ludibriados por falsas promessas. Estamos, portanto, entusiasmados com essa oportunidade.”
JBS e subsidiária da Marfrig são alvos de investigação do Departamento de Justiça dos EUA
O cenário envolvendo os irmãos Batista ganha ainda mais complexidade diante da abertura de uma investigação pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ). Na segunda-feira, 4, o órgão iniciou uma apuração sobre possíveis violações às regras de concorrência na indústria de processamento de carne.
Entre os alvos da investigação figuram grandes frigoríficos com atuação nos EUA, incluindo a JBS e a National Beef, subsidiária da Marfrig, que se uniu à BRF no ano passado.
Em novembro, o DoJ já havia lançado outra investigação focada nas maiores processadoras de carne bovina do país. Segundo comunicado da Casa Branca, a medida integra um esforço para “reprimir cartéis estrangeiros” e “restaurar a concorrência justa” no setor.
O documento citava nominalmente quatro companhias que, juntas, dominam aproximadamente 85% do mercado americano de carne bovina: JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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