Uma dentista foi presa preventivamente nesta quinta-feira (29) em Goiânia (GO) durante a Operação Protocolo de Risco, deflagrada pela Polícia Civil com apoio da Vigilância Sanitária. Valéria Ribeiro é investigada por causar deformidades e lesões corporais graves em pelo menos sete pacientes após realizar cirurgias estéticas invasivas.
Entre os procedimentos realizados por Valéria sem a habilitação exigida estão rinoplastia, bichectomia e lipoaspiração de papada.
As investigações, iniciadas em 2024 após relatos de vítimas em 2023, apontam que os procedimentos eram feitos em uma sala odontológica comum no Setor Bueno, sem condições sanitárias, esterilização adequada ou suporte anestésico, chegando a durar mais de 12 horas.
As vítimas sofreram sequelas graves, incluindo infecções, fibroses, necroses e cicatrizes permanentes. Em um caso extremo, uma paciente quase foi internada na UTI e acabou sendo levada pela própria dentista para ser tratada em sua residência.
Diante do caso, a clínica foi interditada e uma funcionária foi presa em flagrante por tentar ocultar provas.
A Justiça determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão de documentos, prontuários e equipamentos, além do bloqueio de R$ 600 mil para futuro ressarcimento das vítimas. Em depoimento, Valéria optou por permanecer em silêncio.
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) confirmou que a profissional possui registro ativo, mas ressaltou que intervenções cirúrgicas na face só podem ser feitas por dentistas com especialização comprovada em Cirurgia Estética Orofacial, e que uma apuração administrativa sob sigilo já foi instaurada.
A advogada Caroline Bittar, que representava a dentista no momento da prisão, informou em nota que não havia se manifestado sobre o caso por ainda não ter tido acesso à integridade dos documentos do processo. A nova defesa de Valéria não foi encontrada.
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