Lucimar das Neves Ferreira, um dos sobreviventes do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia (GO) em 1987, foi encontrado morto no último sábado (25), aos 53 anos. A causa da morte não foi divulgada.
A informação foi confirmada pela Associação das Vítimas do Césio-137, que lamentou o falecimento por meio das redes sociais.
Lucimar tinha apenas 14 anos quando viveu um dos episódios mais marcantes da história do Brasil. Ele era irmão de Leide das Neves Ferreira, a menina de seis anos que morreu semanas após entrar em contato com o material radioativo e ingerir partículas de Césio-137.
Família viveu tragédia desde os primeiros momentos
Em um vídeo divulgado pela Associação das Vítimas do Césio-137, Lourdes das Neves, de 74 anos, mãe de Lucimar e Leide, relembrou os momentos de tensão vividos logo após a descoberta da contaminação.
Segundo ela, durante a madrugada em que as autoridades iniciaram o atendimento às vítimas, policiais utilizavam equipamentos para medir os níveis de radiação e separar as pessoas conforme o grau de contaminação.
Inicialmente, Lourdes e a filha Leide foram encaminhadas para uma área destinada às pessoas com menor índice de radiação.
"Separou eu e a Leide para entrar. Eu peguei ela, tinha uma mureta, coloquei ela em cima e abracei ela e esperei Lucimar descer. Eles viram que tinha algo de errado, voltaram a medir e viram que era ela. Aí colocaram ela e Lucimar no ônibus e eu fiquei no estádio", relatou.
Posteriormente, parte das vítimas foi transferida para unidades especializadas no Rio de Janeiro para tratamento.
Fundação acompanha vítimas desde 1988
Após a tragédia, o Governo de Goiás criou, em 1988, a Fundação Leide das Neves Ferreira, instituição responsável pelo acompanhamento médico das pessoas atingidas pela radiação ionizante.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, a fundação foi criada para monitorar, ao longo dos anos, os efeitos da exposição à radiação sobre os sobreviventes do acidente.
Relembre o acidente com o Césio-137
O acidente com o Césio-137, ocorrido em setembro de 1987, é considerado o maior desastre radiológico do mundo fora de usinas nucleares.
Tudo começou quando um aparelho de radioterapia abandonado nas instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia, no Setor Central de Goiânia, foi retirado por catadores de materiais recicláveis e levado para um ferro-velho.
Ao desmontarem o equipamento, a cápsula que continha Césio-137 foi aberta, liberando um material altamente radioativo que chamava a atenção pelo brilho azulado.
Sem conhecer os riscos, diversas pessoas manipularam e compartilharam o pó radioativo entre familiares, vizinhos e amigos, permitindo que a contaminação se espalhasse rapidamente por diferentes regiões da cidade.
O desastre contaminou diretamente 249 pessoas, deixou quatro mortos e afetou milhares de outras, incluindo familiares das vítimas, profissionais de saúde e trabalhadores que participaram das operações de descontaminação.
Décadas depois, o acidente continua sendo um dos episódios mais graves da história brasileira e um marco mundial na área da segurança radiológica.
Créditos (Imagem de capa): Morre sobrevivente do acidente com Césio-137 em Goiás, irmão de Leide das Neves Foto : Reuters / CP Memória
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