Alencar Santana se referiu à parlamentar transexual no masculino, levantando debate sobre coerência no uso de pronomes dentro da própria base aliada
Um deslize verbal protagonizado pelo deputado federal Alencar Santana (PT-SP) reacendeu o debate sobre linguagem de gênero no Congresso Nacional. O parlamentar petista, ao citar colegas durante uma fala, disse: “Deputado Reginaldo Lopes e deputado Érika Hilton”, tratando a deputada transexual Érika Hilton (PSOL-SP) com flexão masculina.
Ironia dentro do mesmo campo ideológico
O episódio ganha contornos ainda mais relevantes pelo fato de que Alencar Santana e Érika Hilton pertencem ao mesmo espectro político. Ambos integram partidos de esquerda e, em tese, compartilham a defesa da chamada linguagem inclusiva e do respeito à identidade de gênero nas instituições públicas.
Diante do ocorrido, uma pergunta incômoda se impõe: a deputada Érika Hilton, conhecida por acionar o Judiciário e mobilizar as redes sociais sempre que identifica o que classifica como “discurso de ódio” — sobretudo quando a crítica parte de setores da oposição —, adotará a mesma postura contra um aliado? Vai processar, exigir retratação pública ou promover o cancelamento do colega petista?
Dois pesos e duas medidas?
A situação expõe, com ironia difícil de ignorar, que a aplicação rigorosa das normas de pronomes e da linguagem inclusiva parece funcionar, na prática, muito mais como ferramenta política do que como princípio inegociável. Quando o “erro” parte de alguém alinhado ideologicamente, o silêncio tende a prevalecer. Quando vem de um conservador, a reação costuma ser imediata e contundente.
Érika Hilton já protagonizou diversos embates judiciais
Vale lembrar que a trajetória recente de Érika Hilton é marcada por disputas nos tribunais e conflitos públicos. A Justiça negou pedido para suspender controle em redes financiado pela parlamentar. O apresentador Ratinho levou Hilton aos tribunais e abriu queixa-crime por difamação. Em outro episódio, uma deputada chegou a afirmar: “Se houver confronto, aciono a Lei Maria da Penha”, em embate direto com Érika. Além disso, uma feminista processou a parlamentar do PSOL após ser associada ao nazismo, e uma militante do próprio partido ofendeu a deputada Clarissa Tércio na Comissão da Mulher.
O vídeo do momento em que Alencar Santana comete o deslize foi amplamente compartilhado nas redes sociais, alimentando o debate sobre a coerência na aplicação das pautas identitárias dentro da esquerda brasileira. Até o fechamento desta reportagem, nem Érika Hilton nem Alencar Santana se manifestaram publicamente sobre o episódio.
Veja o video:
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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