O funcionário público preso por ao menos 17 ataques a ônibus na Grande São Paulo ganhou quase R$ 11 mil líquidos em junho, usou carro oficial nas ações e dizia querer "salvar o Brasil". A própria polícia, no entanto, afirma não acreditar nessa motivação.
Edson Aparecido Campolongo, de 68 anos, é concursado há mais de 30 anos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A empresa, que é do governo paulista, ainda não se pronunciou sobre o caso.
Ele teve a prisão decretada pela Justiça de São Paulo após ter sido descoberto pela Polícia Civil. A reportagem não conseguiu localizar a defesa dele.
Os investigadores chegaram até o servidor após notar, por meio de imagens de circuitos de segurança, que um carro com a logomarca da CDHU tinha sido visto nos locais de ataques várias vezes na região do ABC Paulista.
Ao checar, os policiais viram que se tratava do carro de uma locadora de veículos que estava cedido à empresa do governo paulista.
A partir daí, localizaram Campolongo, que trabalha como motorista do chefe de gabinete da empresa. Ele constantemente viajava para eventos do governo de São Paulo no interior, com a presença da alta cúpula do Palácio dos Bandeirantes, inclusive do governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/o/O/POn7jeRZeJVBZZ5WUnrA/edson-aparecido.jpg)
Apesar de ter um perfil discreto e atencioso pessoalmente, nas redes sociais Edson Campolongo tinha atuação ativa e fazia postagens atacando o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Lula (PT), além de defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Funcionários da CDHU ouvidos pelo g1 disseram, sob condição de anonimato, que jamais imaginavam que ele estaria por trás de parte dos mais de 800 ataques a ônibus na cidade.
Na CDHU, o clima é de consternação e incredulidade após a prisão de Edson Campolongo. Todos dizem que foram pegos de surpresa com a prisão do motorista. Os servidores também narram que o chefe de gabinete da CDHU chegou a chorar e teve que ser amparado por colegas ao receber a notícia da polícia sobre a ligação do empregado com tanto tempo de empresa.
O chefe de gabinete chegou a ser ouvido pelo delegado que preside o inquérito dos ataques, mas foi descartada qualquer participação dele nos casos.
A principal suspeita da polícia é que o irmão do motorista, Sérgio Aparecido Campolongo, o tenha auxiliado em ao menos dois ataques.
Nesta quarta-feira (23), Sérgio, que também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, se entregou à polícia.
Na casa de Edson Campolongo, os policiais encontraram pedras e estilingues que teriam sido usados nos ataques.
Na delegacia, o motorista confessou que participou de pelo menos 17 apedrejamento de ônibus na Grande SP e cometeu os atos para protestar contra a situação política do país.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/3/0/nNb9mVQ8GLkaABkuL9Xw/fotojet-20-.jpg)
Postagens
Nos últimos dias antes da sua prisão, Edson fez diversas postagens com teor político defendendo que o país precisava “parar" ou iria virar "comunismo”. Em 6 de julho, por exemplo, ele publicou uma caricatura do presidente norte-americano Donald Trump rindo e tentando ligar os ataques à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em entrevista à imprensa na terça, o secretário-executivo de Segurança Pública do estado, Osvaldo Nico, afirmou que Edson contou que a motivação para os crimes seria "consertar o Brasil", mas ele disse não acreditar nesta história.
A suspeita é que Campolongo recrutasse outras pessoas para atuar em ataques semelhantes a ônibus.
"Acredito que ele arregimenta [organiza] outras pessoas para realizar os ataques. Mas ainda estamos no início da investigação", afirmou Nico.
Segundo o delegado seccional de São Bernardo do Campo, Domingos de Paula Neto, o veículo Virtus branco usado por Campolongo - e que estava presente em diversas cenas de ataques - circulava pela cidade de Grande SP diariamente porque é onde mora o chefe de gabinete.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/T/c/BfW0YrTpSB2AaNVAsQ3A/raposo-tav-cred.-aconteceu-em-cotia.png)