O presidente Donald Trump surpreendeu seu próprio partido na noite de domingo (16) ao defender publicamente que os republicanos da Câmara votem a favor da liberação de “todos os arquivos” relacionados ao caso de Jeffrey Epstein — mesmo após ter atuado, dias antes, para evitar que a bancada apoiasse exatamente essa medida.
Em postagem no Truth Social, Trump escreveu:
“House Republicans should vote to release the Epstein files, because we have nothing to hide, and it’s time to move on from this Democrat Hoax perpetrated by Radical Left Lunatics in order to deflect from the Great Success of the Republican Party.”
A mudança ocorre às vésperas da votação prevista para terça-feira, quando a Câmara analisará um projeto de lei que obriga o Departamento de Justiça a tornar públicos todos os documentos relacionados ao caso Epstein. O avanço da proposta se tornou inevitável após uma discharge petition — mecanismo que força a liderança a levar o projeto ao plenário — atingir as 218 assinaturas necessárias na semana passada.
Caminho legislativo ainda depende do Senado — e de Trump
Mesmo se aprovado na Câmara, o texto só entrará em vigor após passar pelo Senado e receber assinatura do próprio Trump. Até agora, o presidente não indicou se orientará os senadores republicanos a apoiar a proposta nem se pretende sancioná-la.
A discharge petition foi assinada pelos 214 democratas e por quatro republicanos: Thomas Massie (Kentucky), Nancy Mace (Carolina do Sul), Lauren Boebert (Colorado) e Marjorie Taylor Greene (Geórgia) — movimento que irritou Trump, já que contraria o comando da liderança republicana.
E-mails revelados reacendem polêmica
Na quarta-feira anterior, o Comitê de Supervisão da Câmara divulgou mais de 20 mil páginas de documentos fornecidos pelo espólio de Epstein. Entre os materiais há e-mails nos quais o financista — encontrado morto em 10 de agosto de 2019 em uma cela federal em Manhattan, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual — afirma que Trump teria conhecimento de seu esquema de aliciamento.
Um e-mail de 31 de janeiro de 2019 cita:
“[O]f course he knew about the girls as he asked [G]hislaine to stop”, referindo-se a Ghislaine Maxwell e às acusações de que ela recrutava vítimas no spa do resort Mar-a-Lago.
No dia seguinte, Epstein escreveu para si mesmo que, embora “Trump knew of it. and came to my house many times during that period”, o futuro presidente “never got a massage”.
Os dois mantiveram convivência próxima nos anos 1990 e início dos 2000, até romperem após uma disputa pela compra de uma mansão em Palm Beach — posteriormente demolida.
Trump tenta recolocar foco político e mira outros nomes
Na sexta-feira, Trump anunciou que pediria ao Departamento de Justiça e ao FBI que investigassem o envolvimento de Epstein “with Bill Clinton, Larry Summers, Reid Hoffman, J.P. Morgan, Chase, and many other people and institutions”, afirmando querer esclarecer “o que estava acontecendo com eles, e com ele”.
A procuradora-geral Pam Bondi confirmou ter solicitado ao procurador federal de Manhattan, Jay Clayton, que liderasse o processo.
Em nova publicação no domingo, Trump afirmou:
“the House Oversight Committee can have whatever they are legally entitled to, I DON’T CARE! All I do care about is that Republicans get BACK ON POINT.”
O presidente também acusou democratas de utilizarem o caso politicamente:
“Ninguém ligava para Jeffrey Epstein quando ele estava vivo e, se os democratas tivessem algo, teriam divulgado antes da nossa ‘Landslide Election Victory’. Alguns ‘members’ do Partido Republicano estão sendo ‘used’, e não podemos permitir isso.”
Por fim, pressionou o partido a abandonar a discussão:
“Let’s start talking about the Republican Party’s Record Setting Achievements, and not fall into the Epstein ‘TRAP,’ […] MAKE AMERICA GREAT AGAIN!”
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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