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Quinta-feira, 18 de Junho 2026
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Primeira Turma do STF condena Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo; defesa questiona decisão

Ex-deputado é acusado pela PGR de ter atuado para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro no processo sobre tentativa de golpe de Estado

Primeira Turma do STF condena Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo; defesa questiona decisão
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou unanimidade nesta terça-feira (16) para condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. O julgamento teve como base a acusação de que o parlamentar teria atuado para influenciar o andamento de ações envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A maioria foi alcançada após o voto da ministra Cármen Lúcia, que acompanhou o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a ministra, há elementos nos autos que indicam uma atuação pública de Eduardo Bolsonaro relacionada ao julgamento em questão.

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“Em numerosas situações, devidamente mostradas nos autos, manifestou, comprovou e deixou registrado em imagens, em falas, que ele estava atuando no sentido de impedir aquele julgamento”, afirmou.

Moraes rejeita argumentos da defesa

Durante seu voto, o ministro Alexandre de Moraes rebateu os argumentos apresentados pela Defensoria Pública da União (DPU), responsável pela defesa do ex-deputado no processo.

De acordo com Moraes, as manifestações públicas feitas por Eduardo em entrevistas e redes sociais demonstrariam que ele tinha pleno conhecimento da ação judicial.

O relator também criticou as articulações realizadas pelo ex-parlamentar nos Estados Unidos.

“Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby contra o país”, afirmou o ministro durante a sessão.

Além de Moraes e Cármen Lúcia, votaram pela condenação os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.

PGR apontou atuação junto a autoridades dos EUA

Durante o julgamento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentou que Eduardo Bolsonaro realizou declarações públicas e publicações nas redes sociais nas quais afirmava ter buscado apoio de integrantes do governo americano para a adoção de medidas contra autoridades brasileiras.

Segundo a acusação, essas iniciativas teriam como objetivo pressionar integrantes do Judiciário e influenciar processos envolvendo Jair Bolsonaro.

O subprocurador-geral da República, Antônio Edílio Magalhães Teixeira, citou publicações e entrevistas nas quais Eduardo defendia sanções contra autoridades brasileiras e manifestava apoio a medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Para a PGR, as manifestações ultrapassaram o campo da opinião política e configuraram tentativa de constranger agentes públicos envolvidos nos processos.

Defesa fala em nulidades e liberdade de manifestação

A Defensoria Pública da União contestou a validade de parte dos procedimentos adotados no processo.

O defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho argumentou que a citação do ex-deputado deveria ter ocorrido por meio de carta rogatória internacional, e não por edital.

Segundo a defesa, Eduardo possui endereço conhecido no exterior e deveria ter sido formalmente comunicado dessa forma.

A DPU também sustentou que Alexandre de Moraes não deveria participar do julgamento, por ser uma das autoridades mencionadas nas manifestações atribuídas ao ex-deputado.

No mérito, a defesa afirmou que as declarações de Eduardo Bolsonaro constituem manifestações políticas protegidas pela liberdade de expressão e relacionadas a temas de política externa e à atuação do Poder Judiciário.

“O acusado não teve nenhum poder de decisão sobre a política externa dos EUA. Ele não exerce função pública naquele país”, argumentou o defensor.

Repercussão

A decisão deve ampliar o debate político e jurídico em torno da atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior e das críticas que ele vem fazendo ao STF e a integrantes do Judiciário brasileiro.

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro têm afirmado que as iniciativas do ex-deputado representam denúncias de supostos abusos contra a oposição, enquanto a acusação sustenta que houve tentativa de constranger autoridades e interferir no andamento de processos judiciais.

A defesa ainda poderá recorrer da decisão dentro das possibilidades previstas pela legislação.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Vinicius Schmidt/Metropoles

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