Aguarde, carregando...

Terça-feira, 28 de Abril 2026
MENU
Notícias / Ciência & Tecnologia

Por que o mar recua de forma impressionante antes da chegada de um tsunami?

Especialistas esclarecem fenômeno observado em desastres como o da última semana, na Rússia. Entenda o que faz oceano 'encolher' antes das grandes ondas.

Por que o mar recua de forma impressionante antes da chegada de um tsunami?
A-
A+
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Vídeos gravados na última semana mostram que, pouco tempo antes de um tsunami atingir a costa da Rússia, do Japão e do Havaí, o mar recuou de forma abrupta e significativa.

➡️O mesmo aconteceu em 2004, em Phuket, na Tailândia, quando banhistas ficaram impressionados com o “encolhimento” do oceano e caminharam sobre a areia, pegando peixes. Eles não imaginavam o tamanho da onda que os atingiria em seguida.

➡️Em Palu, na Indonésia, em 2018, pessoas correram em direção à praia para observar o fenômeno do recuo marítimo. Elas tiveram ainda menos tempo para escapar do tsunami que estava prestes a ocorrer.

Publicidade

Leia Também:

Por que pode haver uma retração do oceano antes de desastres como os citados acima?

Em 26 de dezembro de 2004, Tilly Smith, aos 10 anos, sabia a resposta — e a informação fez com que ela salvasse vidas na praia de Maikhao, na Tailândia. Ao perceber o recuo significativo do mar, a menina lembrou-se do que aprendera na escola semanas antes e começou a gritar: “Tsunami, tsunami!”.

Vamos aos detalhes:

Tsunami é uma onda de grande comprimento gerada principalmente por terremotos no fundo do mar (erupções vulcânicas e deslizamentos submarinos são outras causas possíveis). Com o movimento das placas tectônicas, seja abaixando ou erguendo o fundo do oceano, uma enorme massa de água é deslocada, de forma brusca.

“O corpo d’água é violentamente deslocado para cima, fazendo elevar o nível do mar nas imediações”, afirma Lucas Penha, analista educacional de geografia da Fundação Bradesco.

Tsunamis são terremotos que acontecem no mar — Foto: Arte/g1

Por que o mar recua antes do tsunami?

Como toda onda, o tsunami tem crista (ponto mais alto) e vale/cavado (ponto mais baixo).

🌊Imagine um surfista em um “tubo” no mar, sugere Fernanda Cantisani Zuquim, professora de geografia do Colégio Bandeirantes. “Ele fica dentro da concavidade da onda. Acima dele, está a crista. À frente, embaixo, o vale.

Aí é que está: para a crista se formar, a água que está à frente no mar é “puxada”. No caso do tsunami, em que a coluna d’água é movimentada desde o fundo até a superfície, isso acontece em proporções muitíssimo maiores, expondo o fundo do mar.

É esse o fenômeno que levará a uma possível retração do oceano.

Mas sempre que houver tsunami, poderemos ver o recuo prévio do mar? Não, afirma Marcelo Dottori, professor-doutor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP).

“Só quando é a parte mais baixa da onda [vale ou cavado] que chega primeiro à costa, e não a crista, que acontece esse recuo", diz.

Ou seja: nem todo tsunami vai emitir esse alerta prévio de “mar encolhendo”. “Não dá para dizer, por exemplo, que determinado local é mais propício a ter ondas na costa começando pelo cavado. Tudo vai depender da maneira como o tsunami se formou naquele episódio”, explica o especialista da USP.

Entenda o que é a crista e o que é o vale de uma onda — Foto: Arte/g1

E todo recuo acentuado do oceano é sinal de tsunami?

 

“Se for um recuo muito grande, provavelmente sim, é o caso de um tsunami”, diz Dottori.

📢Mas, atenção: não confunda esse fenômeno com a maré baixa:

 

  • Antes do tsunami: recuo enorme e rápido do mar, expondo áreas da costa que dificilmente ficam descobertas.
  • Na maré baixa: recuo não tão significativo e muito mais lento (pode durar horas). Corresponde a uma variação regular e previsível do nível do mar, causada pela atração gravitacional da Lua e do Sol.

 

Uma dica é considerar o local do fenômeno: no Brasil, por exemplo, é improvável que haja um tsunami, já que, no Atlântico Sul, as placas da América do Sul e da África são divergentes, ou seja, se afastam e praticamente não geram essas grandes ondas. Mas, se o recuo for muito grande e rápido, e ainda se manifestar em regiões como a do Pacífico (como na costa do Japão ou da Indonésia), fique atento e aja imediatamente.

O ideal é procurar abrigo seguro, o mais distante possível da costa e em lugar alto, mesmo que a onda ainda não seja vista.

Placas tectônicas do Atlântico Sul não costumam gerar tsunamis — Foto: Arte/g1

Placas tectônicas do Atlântico Sul não costumam gerar tsunamis — Foto: Arte/g1

Observação: O tempo estimado aqui corresponde ao intervalo entre a crista e o vale da mesma onda . No entanto, tsunamis costumam ocorrer em sequência de ondas, com vários ciclos sucessivos. Por isso, outras podem atingir a costa minutos depois da primeira, e até com mais força — o que torna ainda mais urgente buscar abrigo em local alto e distante da praia logo ao primeiro sinal de perigo.

Por que a onda fica mais alta exatamente quando chega à costa?

No mar aberto, a profundidade típica é de cerca de 4 mil metros. O tsunami, neste ponto, está viajando a 200 m/s (720 km/h), velocidade de um avião de cruzeiro.

Quando a onda começa a se aproximar da costa, a profundidade do mar é reduzida para aproximadamente 10 metros. “Isso leva a uma diminuição da velocidade e a um acúmulo de massa de água”, explica Dottori.

É como se a imensa quantidade de líquido tivesse menos espaço para se acomodar. Resultado: ela ultrapassa os limites e avança sobre o litoral.

 

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Aliados Brasil
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR