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Segunda-feira, 22 de Junho 2026
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Padre russo é enviado para o Brasil após problemas na Europa

Hilarion Alfeyev vai chefiar comunidade ortodoxa na América do Sul e terá residência em Campina das Missões, no Rio Grande do Sul

Padre russo é enviado para o Brasil após problemas na Europa
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O padre Hilarion Alfeyev, bispo da Igreja Ortodoxa Russa, vai assumir nas próximas semanas a Diocese Argentina e Sul-Americana. Com o novo posto, Hilarion será o metropolita da Igreja dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, localizada na cidade de Campina das Missões, no Rio Grande do Sul.

A decisão é do dia 3 junho e foi publicada em decreto pelo patriarca Kirill de Moscou — autoridade máxima na igreja ortodoxa russa. Em decisão, o patriarca afirma ainda que o Hilarion deve residir no Brasil.

“O Metropolita aposentado Hilarion (Alfeyev), devido à impossibilidade, por circunstâncias objetivas, de continuar cumprindo a decisão do Santo Sínodo, que designou a Igreja dos Supremos Apóstolos Pedro e Paulo em Karlovy Vary como seu local de serviço (diário nº 141 de 27 de dezembro de 2024), foi enviado para servir na Diocese Argentina e Sul-Americana”, diz o comunicado oficial.

O comunicado justifica a mudança por “impossibilidade, por circunstâncias objetivas”, mas sem explicar as razões para tal. A decisão, contudo, foi preferida cerca de uma semana depois do bispo ser preso na Tchéquia, após a polícia encontrar “pó branco” no carro da autoridade religiosa. O material foi encontrado em recipientes localizados no porta-malas do veículo.

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  • Hilarion Alfeyev, bispo da igreja ortodoxa na Rússia, vai deixar o cargo que ocupa na Tchéquia depois de ser designado para assumir a congregação ortodoxa na América da Latina.
  • Embora a mudança não tenha sido plenamente justificada, a decisão da autoridade ortodoxa russa que determinou a mudança de Hilarion para o Brasil ocorre após o bispo enfrentar problemas na Europa.
  • No final do mês de maio, o líder religioso foi detido pela polícia na tcheca por ser flagrado com um “pó branco” em recipientes no porta-malas do carro. Ele foi detido e solto dois dias depois.

Mudança da Europa

O metropolita — designação utilizada para se referir ao responsável pelas igrejas ortodoxas de toda uma região — estava na Tchéquia desde 2024 e deixa a região neste mês após ser apreendido pela polícia do país.

Os policiais chegaram até o líder religioso depois de uma denúncia anônima. Hilarion foi detido e teve de prestar esclarecimentos sobre narcótico ilegal.

Hilarion recusou as acusações e afirmou que o material foi “plantado em seu carro”. “A descoberta de uma substância proibida não responde à questão fundamental: como esses itens foram parar no veículo em primeiro lugar”, questionou o bispo em nota.

O ministro das relações exteriores da Rússia reforçou o posicionamento e, em declaração sobre a prisão de Hilarion, disse que “o fato de essa operação policial ter sido realizada em resposta a uma denúncia anônima indicava sua natureza premeditada e provocativa”. O bispo foi detido no dia 24 de maio e libertado dois dias depois.

Cirilo I e Putin

Diplomata de Putin na igreja

Aos 59 anos, Hilarion enfrenta, segundo analistas, um processo de perda de espaço e prestígio nos círculos ligados ao Kremlin após uma série de reveses.

Por mais de uma década, o metropolita ocupou o cargo de chefe do Departamento de Relações Externas da Igreja Ortodoxa Russa. No posto, o bispo atuava como uma espécie de chanceler religioso. Ele era visto ainda como um aliado de Vladimir Putin e braço direito do patriarca Kiril, ou Cirilo I, liderança máxima na igreja russa.

A perda de espaço de Hilarion teve início após a invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022. Enquanto Kiril adotou uma postura de apoio e alinhamento a Putin no conflito, Hilarion evitou manifestações de apoio e chegou a declarar preocupação com a guerra.

A aproximação do Kremlin na igreja ortodoxa já gerou alertas na comunidade internacional. Analistas apontam que a congregação é usada como instrumento político de Putin, sobretudo para legitimar posturas e diretrizes de Moscou, como o caso da guerra na Ucrânia.

Antes de ir para a Tchéquia, Hialarion estava lotado em Budapeste, na Hungria, de onde foi removido após ser acusado de abuso sexual em 2024. Após as acusações, Kiril decidiu pela afastamento do líder religioso do cargo e determinou a instauração de uma investigação para apurar as denúncias.

Em meio a tantos reveses, a mudança para o Brasil pode ser mais um movimento que representa o afastamento de Hilarion do alto cléro russo — seja o religioso ou político. O movimento ortodoxo no país é pequeno e conta com pouco mais de 100 mil fiéis — para termos de comparação, mais de 100 milhões de brasileiros se declaram católicos.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Mikhail Svetlov/Getty Images

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