A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta severo sobre o avanço do atual surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC). O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a propagação do vírus está mais rápida do que a capacidade de resposta das equipes de saúde. Até o momento, foram registrados mais de 1.000 casos e 220 mortes nas últimas semanas, no que já é considerado um dos surtos de mais rápida expansão desde a epidemia de 2014 na África Ocidental, que vitimou cerca de 11 mil pessoas.
“Estamos intensificando as operações com urgência, mas, no momento, a epidemia está nos ultrapassando”, disse o diretor-geral da OMS ao se dirigir à União Africana.
A rápida disseminação levou a OMS a declarar a situação como uma emergência de saúde pública internacional, e o governo do Reino Unido anunciou um pacote de £ 20 milhões para ajudar a conter a crise na região leste da RDC.
A nova cepa Bundibugyo e a ausência de vacina
O atual surto está sendo alimentado por uma variante específica do vírus, chamada Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina. Esta cepa é particularmente letal, matando até 50% dos infectados. Os sintomas, que incluem febre, dor de cabeça, muscular, vômitos e diarreia, evoluem para sangramento interno e falência de múltiplos órgãos.
Um esforço coordenado por cientistas da Universidade de Oxford está em andamento para criar uma vacina eficaz contra a nova variante. No entanto, a comunidade científica alerta que o desenvolvimento de um imunizante poderá levar de dois a três meses até que possa ser testado em humanos. Uma vacina bem-sucedida protegeria contra doenças graves e morte, ajudaria a limitar a propagação, mas não há garantia de eficácia.
“Os cientistas de Oxford alertaram que a vacina que estão criando levará de dois a três meses para ser testada em humanos, o que significa que é improvável que os pacientes na África recebam o medicamento nos próximos seis meses”, informa a publicação.
Vítimas fatais, violência e a sombra do contágio global
A crise humanitária na RDC é agravada por um ambiente hostil. Trabalhadores da Cruz Vermelha têm sido atacados, e algumas facções na região se rebelam contra as medidas de prevenção, acreditando que o Ebola é uma farsa. Três voluntários da entidade estão entre os mortos, possivelmente contaminados ao manusear corpos infectados.
O medo da propagação internacional também aumentou. Dois casos suspeitos envolvendo trabalhadores humanitários que retornaram de Uganda foram identificados no norte da Itália, mas ambos testaram negativo. Apesar disso, a ameaça permanece. Um médico americano testou positivo para o vírus no início do mês após trabalhar na região, levando a uma intensificação das triagens em aeroportos nos Estados Unidos.
“Especialistas agora alertam que, como não há vacina para proteger contra a variante atual que impulsiona o surto, é quase certo que ela continuará a se espalhar e matar”, adverte o relatório.
Fonte/Créditos: GAZETA BRASIL
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