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Sábado, 25 de Abril 2026
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O vício de taxar: por que o governo não corta gastos?

Mais impostos, menos crescimento e nenhuma reforma estrutural: o roteiro fiscal do governo Lula parece cada vez mais previsível — e perigoso.

O vício de taxar: por que o governo não corta gastos?
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Quantos impostos um governo consegue criar antes de admitir que o problema não é a arrecadação, mas o gasto? No Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva, a resposta parece ser: ainda não chegamos ao limite.

Os números impressionam — e preocupam. São 43 medidas para aumentar a arrecadação em pouco mais de três anos de mandato. Na prática, uma nova investida tributária a cada 27 dias. Não se trata de um ajuste pontual. É uma estratégia. E, mais do que isso, uma escolha política deliberada: resolver o desequilíbrio fiscal pelo caminho mais fácil — o bolso do contribuinte.

O detalhe que desmonta qualquer tentativa de justificativa é outro: isso acontece em meio a recordes sucessivos de arrecadação. Em 2025, o governo federal recolheu R$ 2,9 trilhões, com crescimento real. Ou seja, não estamos diante de um Estado subfinanciado. Estamos diante de um Estado que arrecada muito — e gasta mal.

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A crítica feita pelo tributarista Luís Garcia é cirúrgica: o Brasil já opera com uma carga tributária de cerca de 34% do PIB, patamar típico de países desenvolvidos. Mas com um detalhe incômodo — sem entregar serviços públicos de qualidade equivalente. A conta não fecha. E o governo parece pouco interessado em fazê-la fechar.

Em vez de enfrentar o verdadeiro nó — o crescimento descontrolado das despesas —, opta-se por multiplicar fontes de receita. Reonera combustíveis. Taxa investimentos. Aumenta IOF. Cria impostos sobre consumo, renda, operações financeiras e setores específicos. Até pequenas compras internacionais entram na mira. A lógica é simples: tudo que se move, tributa-se.

Mas há um limite. E ele não é apenas econômico — é também político.

A teoria econômica básica ensina: carga tributária excessiva reduz investimento, diminui competitividade e freia o crescimento. Não é ideologia. É realidade empírica. E os dados começam a mostrar isso. O crescimento de 2,3% em 2025, o pior desde a pandemia, não surge do nada. Ele reflete um ambiente onde produzir, investir e empreender se torna cada vez mais caro e arriscado.

A ironia é cruel: ao tentar arrecadar mais, o governo cria as condições para arrecadar menos no futuro.

E enquanto isso, o problema fiscal estrutural continua intocado. A Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, foi clara: seria necessário um superávit primário superior a 2% do PIB para estabilizar a dívida pública. O governo, no entanto, trabalha com metas modestas e soluções criativas — como empurrar despesas para fora do resultado primário e operar no limite inferior do arcabouço fiscal.

Traduzindo: o ajuste é mais contábil do que real.

E por que isso acontece? Porque cortar gastos tem custo político. Taxar, não — pelo menos no curto prazo. É muito mais fácil anunciar a taxação de “super-ricos”, “bets” ou “big techs” do que enfrentar corporações públicas, rever privilégios ou reduzir o tamanho do Estado.

Mas essa escolha tem consequências. E elas já começam a aparecer no humor da população. A pesquisa do Datafolha mostra aumento na percepção de piora econômica. Não é coincidência. O cidadão sente no preço, no consumo e nas oportunidades aquilo que o discurso oficial tenta suavizar.

Há também um componente de incoerência política difícil de ignorar. O mesmo campo político que historicamente criticava a “carga tributária regressiva” agora amplia impostos indiretos e onera consumo e serviços. O discurso era de justiça fiscal. A prática tem sido de voracidade arrecadatória.

E o mais curioso: mesmo com essa avalanche de medidas, o governo ainda acena com novas taxações — streaming, big techs, e o que mais aparecer pela frente. A pergunta inevitável é: até quando?

Porque há um ponto em que o contribuinte não aguenta mais. E há outro em que o eleitor também não.

No fim, o que se desenha é um cenário conhecido — e perigoso. Um Estado que cresce sem controle. Um governo que prefere arrecadar a reformar. Uma economia que perde fôlego. E uma conta que, inevitavelmente, será empurrada para o próximo governo.

Uma bomba fiscal armada em câmera lenta.

A questão que fica é direta — e incômoda: se arrecadar mais nunca é suficiente, o problema está na falta de receita ou na incapacidade crônica de gastar melhor?

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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