Um número crescente de homens em idade considerada de maior atividade sexual tem recorrido a medicamentos para tratar a disfunção erétil, um quadro que antes era associado principalmente ao envelhecimento. Especialistas, no entanto, alertam que a dependência desses fármacos pode mascarar problemas mais profundos e até agravar a condição ao longo do tempo.
Segundo o urologista Joel Hillelsohn, do NYU Langone Ambulatory Care Chelsea, já é possível observar jovens que deixam de responder aos medicamentos utilizados para o tratamento da disfunção erétil.
“Estou começando a ver isso agora — jovens que não respondem mais a esses remédios”, afirmou em entrevista ao jornal The News York Post. Ele prevê que o cenário tende a se intensificar nos próximos anos. “Esses pacientes vão aparecer cada vez mais. Não vai acontecer de imediato, vai levar cinco, seis, sete anos… mas provavelmente veremos uma epidemia de homens com falha de tratamento.”
O médico alerta que, em casos mais graves, alguns pacientes podem precisar recorrer a procedimentos invasivos, como implantes penianos, quando outras alternativas deixam de funcionar.
Mudança no perfil dos pacientes
Historicamente, a disfunção erétil era mais comum em homens acima dos 50 anos, geralmente associada a doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares, além de alterações hormonais como a queda da testosterona.
No entanto, especialistas apontam uma mudança nesse perfil. Estudos indicam que mais de 25% dos homens com menos de 40 anos já relatam dificuldades para manter uma ereção satisfatória.
Para a terapeuta sexual Rocky Tishma, muitos desses casos não têm origem física, mas psicológica.
“Recentemente, muitos homens jovens têm procurado atendimento após avaliações médicas indicarem que não há nada fisicamente errado. Em muitos casos, o problema está relacionado ao estresse, ansiedade e fatores psicológicos”, explicou.
De acordo com os especialistas, o uso precoce de medicamentos como Viagra e Cialis pode gerar um ciclo de dependência psicológica. O paciente passa a acreditar que precisa do remédio para funcionar sexualmente, o que aumenta a ansiedade e pode piorar o quadro.
“Eles sentem que o pênis está ‘quebrado’ e isso começa a afetá-los emocionalmente”, disse Hillelsohn.
O médico explica que a ansiedade interfere diretamente no mecanismo natural da ereção, já que o estresse ativa hormônios como a adrenalina, que dificultam o fluxo sanguíneo necessário para o desempenho sexual.
Esse processo pode levar a um ciclo de piora progressiva, em que o medo de falhar acaba contribuindo para novas falhas.
Em casos mais avançados, pacientes podem precisar de tratamentos mais invasivos, como injeções penianas ou, em situações extremas, implantes. O uso prolongado e inadequado desses métodos também pode trazer complicações, como formação de cicatrizes e deformações penianas.
Apesar disso, especialistas afirmam que muitos casos em jovens têm solução reversível, especialmente quando a origem é psicológica. O tratamento pode envolver acompanhamento médico, uso controlado de medicamentos e terapia sexual.
Segundo Hillelsohn, o objetivo é quebrar o ciclo de ansiedade e restaurar a confiança do paciente.
“Você precisa ter experiências sexuais bem-sucedidas para quebrar esse padrão”, afirmou.
Os médicos reforçam que a automedicação e o uso sem acompanhamento profissional podem dificultar o tratamento e prolongar o problema, tornando a recuperação mais complexa no futuro.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
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