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Sexta-feira, 24 de Abril 2026
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Nos EUA, senador diz que “erros do governo nos Brics pesaram”

Carlos Viana conta avanços conquistados pela comitiva que foi negociar com parlamentares americanos

Nos EUA, senador diz que “erros do governo nos Brics pesaram”
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O senador Carlos Viana (Podemos-MG) falou com exclusividade ao Pleno.News sobre a missão oficial em Washington, nos Estados Unidos. Ele integra a comitiva formada por oito senadores que tentam evitar a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.

Além de Viana, participam da viagem os senadores Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Jaques Wagner (PT-BA), Nelsinho Trad (PSD-MS), Rogério Carvalho (PT-SE), Esperidião Amim (PP-SC) e Fernando Farias (MDB-AL). A agenda inclui encontros com parlamentares democratas e republicanos, empresários e representantes de órgãos internacionais.

Confira a entrevista na íntegra:

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Como tem sido a receptividade dos parlamentares americanos em relação às preocupações apresentadas pela comitiva brasileira?

Senador Carlos Viana: A recepção por parte dos parlamentares americanos tem sido muito boa. Eles entendem a situação e boa parte, inclusive, discorda do Partido Republicano. Nós temos a informação de que os republicanos estão divididos, porque o Brasil é um dos três países do mundo em que os Estados Unidos têm superavit. Ou seja, eles têm lucro com a nossa negociação.
Não há sentido nenhum em tarifar um país onde os EUA têm mais vantagem.

Os parlamentares aceitaram assinar um manifesto que nós estamos preparando, pedindo o adiamento e a abertura de diálogo entre Brasil e EUA.

A embaixadora Maria Luiza Viotti disse que a carta do governo Trump anunciando as tarifas foi recebida com surpresa. Qual a sua avaliação sobre a justificativa apresentada pelos EUA?
A embaixadora faz o papel dela representando o governo. O governo brasileiro deixou as coisas para última hora, essa é a grande verdade. Eu tenho dito aqui que nós estamos enfrentando um iceberg, porque a parte visível do que nós estamos enfrentando é esse tarifaço. Mas, no fundo, nós temos erros seguidos do governo brasileiro, especialmente em relação ao Brics.

O Brics está no centro de toda a discussão americana. Enquanto era apenas um bloco comercial comum, os EUA não se manifestavam. Mas agora o Brics fala em satélite com a China, em submarinos, em trocar o dólar por outra moeda, e isso mexeu com um dos pilares dos EUA: ganhar dinheiro. Eles sabem da força que têm.

Portanto, sobre a carta, o governo diz que foi pego de surpresa, mas no fundo já se esperava isso há muito tempo. Quando eles anunciaram os 10%, o Brasil já deveria ter se movimentado com muito mais rapidez, o que não aconteceu.

O governo brasileiro espera que empresas americanas pressionem Trump contra as tarifas. O senhor acredita que essa estratégia pode funcionar?
Durante o encontro na Câmara Brasil-Estados Unidos de Comércio, ficou claro que as grandes corporações americanas que têm negócios no Brasil concordam em pressionar o governo norte-americano por uma nova negociação. Isso é muito importante para nós. Já que a diplomacia brasileira está isolada e não é mais ouvida nem respondida, o setor privado pode trazer mais força, principalmente na abertura de diálogos e novas negociações.

Caso não haja acordo nesta viagem, quais serão as próximas ações do Senado para tentar mitigar os efeitos do tarifaço?
Nós esperamos sair daqui com resultados efetivos. Um deles, ao que parece, já recebemos a resposta: o Departamento de Comércio americano estuda não tarifar os produtos não produzidos nos Estados Unidos. Isso é sinal de que a negociação existe e de que nós podemos ser bem-sucedidos.

Mas agora a decisão de negociar com o governo dos EUA é do governo brasileiro. Nós estamos fazendo a nossa parte parlamentar, de um parlamento ao outro.

O deputado Eduardo Bolsonaro declarou em entrevista que a comitiva de senadores não conseguirá negociar com os EUA e que tem trabalhado para que não haja diálogo entre vocês e o governo norte-americano. Isso chegou a afetar as reuniões marcadas?
Nós, aqui do grupo, não estamos preocupados com as ações de Eduardo Bolsonaro. Ele tem os motivos dele e usa a lógica dele, naturalmente. Nós aqui estamos mais preocupados em fazer a nossa parte.

Naturalmente que uma voz dissonante não é interessante para nós, principalmente vinda de um deputado. Mas os EUA, como falei, gostam de ganhar dinheiro, são negociantes por natureza. Então, se nós apresentarmos para eles propostas que mantenham o superávit e coloquem o Brasil em um novo papel estratégico, até mesmo regulando o nosso posicionamento no Brics, acredito que o esforço será bem-vindo.

A questão política em relação ao presidente Bolsonaro será limitada apenas a uma cota do presidente Trump.

Fonte/Créditos: Pleno News

Créditos (Imagem de capa): Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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