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Multa de trânsito indevida: veja como recorrer sozinho e quais documentos reunir

Motorista tem três instâncias para contestar autuações; processo suspende pontos na CNH e cobrança do valor durante o julgamento

Multa de trânsito indevida: veja como recorrer sozinho e quais documentos reunir
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O Brasil registrou mais de 21,1 milhões de infrações de trânsito em 2023. No entanto, nem toda autuação reflete a realidade. Falhas em radares ou erros de preenchimento por parte dos agentes de trânsito tornam muitas multas passíveis de anulação. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) garante ao motorista o direito de contestar essas penalidades de forma administrativa, sem a necessidade obrigatória de intermediários.

Por que recorrer é um direito útil


Durante o andamento do recurso, os pontos referentes à infração não entram no prontuário da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a obrigação de pagamento do valor fica suspensa. Ignorar a notificação não resolve o problema: multas não pagas ficam vinculadas ao automóvel e impedem o licenciamento e a transferência em caso de venda do veículo.

Quando uma multa pode ser anulada


O artigo 280 do CTB exige que o auto de infração contenha dados obrigatórios, como local, data, hora, caracteres da placa, marca do veículo e identificação do órgão autuador. A ausência ou o erro em qualquer uma dessas informações torna a multa indevida.

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No caso de fiscalização eletrônica, a autuação perde a validade se o radar estiver com a aferição periódica vencida ou se voltar a operar após manutenção sem passar por nova verificação. Além disso, a lei exige a aplicação de uma margem de tolerância: desconto de 7 km/h em vias com limite de até 100 km/h, e de 7% em vias com limite superior a 100 km/h.

Passo a passo: as três instâncias de defesa


O processo administrativo oferece três oportunidades para o condutor apresentar seus argumentos:

Defesa Prévia: É a primeira etapa, realizada logo após o recebimento da notificação de autuação. O prazo varia de 15 a 30 dias, dependendo do estado. Em alguns locais, pode ser feita pela internet no site do Detran.

Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI): Se a defesa prévia for negada, o motorista recorre em primeira instância à JARI, com prazo de 30 dias após a notificação de penalidade.

Conselho Estadual de Trânsito (CETRAN): 

Caso a JARI indefira o pedido, a última etapa administrativa é o recurso em segunda instância no CETRAN.

Os órgãos de trânsito possuem prazos legais estritos para julgar os recursos. Caso a administração pública atrase o julgamento além dos limites fixados pelo CTB, o condutor pode alegar a prescrição da penalidade, o que leva ao cancelamento da multa.

Documentos necessários para montar o recurso

De acordo com as normas vigentes do Contran (Resolução nº 900/2022), o motorista precisa reunir a seguinte documentação para protocolar a defesa:

Requerimento de defesa com os argumentos;

Cópia da notificação de autuação, notificação de penalidade ou auto de infração;

Cópia do Certificado de Registro do Veículo (CRV) ou CRLV;

Cópia da CNH do proprietário do veículo;

Cópia da CNH ou RG do condutor (caso não seja o proprietário);

Comprovante de residência.

O motorista também pode anexar provas adicionais que reforcem a defesa, como tickets de estacionamento, notas de serviços em oficinas mecânicas ou relatórios de monitoramento via GPS que comprovem que o veículo estava em outro local no momento da infração.

As infrações mais cometidas

O excesso de velocidade lidera os registros de infrações no país. O avanço de sinal vermelho, a falta do uso do cinto de segurança, o estacionamento irregular e o trânsito em faixas exclusivas de transporte coletivo completam a lista das cinco multas mais aplicadas aos motoristas brasileiros.

Fonte/Créditos: Terra

Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução

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