Durante sua visita a Moçambique, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender que o BNDES reabra linhas de crédito para financiar obras de infraestrutura em países africanos — uma política que marcou seus governos anteriores e que sempre gerou forte controvérsia no Brasil. A fala ocorreu nesta segunda-feira (24), durante cerimônia que celebrou os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
Embora Lula tenha apresentado a iniciativa como forma de “retomar a internacionalização das empresas brasileiras”, a proposta reacende críticas sobre a destinação de recursos públicos a projetos fora do país, especialmente em um momento em que setores essenciais dentro do Brasil sofrem com falta de investimento.
O presidente afirmou:
“Estamos trabalhando para o BNDES recuperar a capacidade de financiar a internacionalização das empresas brasileiras”, ao reclamar que o comércio com Moçambique é menor do que o registrado com outros países lusófonos, o que considerou “injustificável”.
Acordos foram celebrados, mas contradições também ganharam destaque
Lula anunciou que foram assinados nove acordos, abrangendo desenvolvimento, educação, saúde, empreendedorismo e comércio. Ele também argumentou que Moçambique ainda possui “lacunas” estruturais e que empresas brasileiras poderiam ajudar suprindo a demanda por estradas, portos, usinas e linhas de transmissão.
A crítica recorrente — e reforçada agora — é que o Brasil enfrenta problemas semelhantes em seu próprio território, e mesmo assim o governo prioriza financiar obras em outro continente. Em várias regiões brasileiras, estradas se deterioram, hospitais sofrem com falta de estrutura e a burocracia trava projetos básicos. Ainda assim, Lula defende que o BNDES volte a focar sua atuação internacional.
Visita curta, mas carregada de simbolismo político
Lula desembarcou em Maputo no domingo (23), cumprindo uma agenda de apenas um dia, com reunião com o presidente Daniel Chapo e um encontro ampliado com ministros. O governo aproveitou a data simbólica — 50 anos de relações diplomáticas — para reafirmar o papel do Brasil como “parceiro estratégico” de países em desenvolvimento.
Críticos avaliam, porém, que o simbolismo contrasta com as urgências brasileiras: enquanto o governo sinaliza crédito para obras no exterior, municípios brasileiros enfrentam colapso em infraestrutura, segurança e serviços públicos.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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