A Corte de Apelação de Roma decidiu, nesta quinta-feira (16/4), pela extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli também pelo caso em que ela é condenada por porte ilegal de arma de fogo. A justiça italiana já tinha autorizado a extradição de Zambelli, pela condenação relacionada à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a então deputada a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do mandato, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Essa foi a segunda condenação de Zambelli por um colegiado da Corte.
A ex-parlamentar também foi condenada pela Primeira Turma a 10 anos e oito meses de prisão pela participação de Zambelli na invasão dos sistemas CNJ, em 2023, e na inserção de documentos falsos na plataforma.
Nesse caso, a defesa de Zambelli entrou com recurso na justiça italiana, mas ainda não obteve resposta. A decisão final, de acordo com a legislação italiana, será tomada pelo ministro da Justiça, Carlo Nordio, que poderá confirmar ou rejeitar a decisão do tribunal.
Caso a Corte mantenha a decisão de extradição, Zambelli será enviada ao Brasil e deve ficar presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia.
Condenações
Zambelli foi condenada em dois processos distintos no Brasil, ambos com trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recursos):
- a 10 anos e 8 meses de prisão, como autora intelectual da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e
- a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no caso em que perseguiu um homem na rua apontando-lhe uma arma, nas vésperas das eleições de 2022.
Após a condenação pela invasão ao sistema do CNJ, também em 2025, Zambelli fugiu do Brasil para a Itália. A Procuradoria-Geral da República (PGR) do Brasil solicitou a prisão preventiva da ex-parlamentar, pedido que foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Moraes também determinou a inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol, usada para localizar e prender foragidos internacionais.
Em 29 de julho de 2025, Zambelli foi presa em um apartamento na Itália, em Roma. A prisão foi determinada pela Corte de Apelação de Roma, que apontou “grave risco de fuga” caso a parlamentar permanecesse em liberdade.
Renúncia
Após as condenações de Zambelli, a Câmara dos Deputados abriu um processo para cassar o mandato dela como parlamentar. Entretanto, o processo não obteve os votos necessários dos colegas deputados, e o pedido de cassação foi arquivado em dezembro do ano passado.
Dias depois, o STF anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou o pedido de cassação, e determinou a perda do mandato de Zambelli. Após a decisão da Justiça, a ex-deputada renunciou ao mandato na Câmara.
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Igo Estrela/Metrópoles
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