O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, cidade litorânea no sul de Israel, prorrogou por dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e de seu companheiro palestino-espanhol Saif Abukeshek, segundo informou à Agência EFE o Adalah, centro jurídico que representa os dois integrantes da Flotilha Global Sumud.
Durante a audiência, o promotor do Estado israelense havia solicitado uma prorrogação de quatro dias da detenção dos ativistas, apresentando uma lista de supostos crimes.
Entre eles, “colaborar com o inimigo em tempos de guerra, contatar um agente estrangeiro, pertencer a uma organização terrorista e prestar-lhe serviços, e transferir bens para uma organização terrorista”, conforme relatou o Adalah em comunicado.
– O uso por parte do Estado [de Israel] dessas graves acusações relacionadas à segurança constitui uma medida de retaliação contra líderes ativistas humanitários – afirmou o centro jurídico a respeito do caso.
As advogadas do Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, também argumentaram perante o tribunal que “todo o processo está repleto de irregularidades”. Além disso, o centro contestou a decisão, afirmando que “não existe fundamento para a aplicação desses crimes a cidadãos estrangeiros em águas internacionais”.
A conta oficial da Flotilha Global Sumud nas redes sociais exigiu a libertação imediata dos dois ativistas – que decidiram iniciar uma greve de fome – e pediu à sociedade civil que “continue pressionando” para alcançá-la.
Os dois membros da Flotilha, que embarcaram em uma expedição de 58 embarcações que, pelo segundo ano consecutivo, pretendia romper o bloqueio na Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária ao enclave palestino, chegaram na manhã de sábado a Ashkelon após permanecerem outros dois dias sob custódia naval.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que Abukeshek e Ávila têm ligação com o grupo de esquerda marxista Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), o segundo mais importante dentro da Organização para a Libertação da Palestina, depois do Fatah.
Após a notícia de que os cidadãos seriam levados a Israel em vez de serem libertados na Grécia, como o restante dos ativistas da Flotilha, os governos do Brasil e da Espanha já exigiram uma libertação imediata.
*Com informações da Agência EFE
Créditos (Imagem de capa): Foto: Arquivo Pessoal
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