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Quinta-feira, 23 de Abril 2026
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Governo Lula prioriza aumento de impostos para fechar as contas até 2026

Executivo aposta em elevação da arrecadação com nova MP, enquanto medidas de corte de gastos seguem paradas no Congresso

Governo Lula prioriza aumento de impostos para fechar as contas até 2026
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Na tentativa de equilibrar as contas públicas até 2026, o governo Lula adotou como principal linha de ação o aumento de impostos, deixando em segundo plano as propostas de contenção de despesas. Um dos instrumentos centrais dessa estratégia é a Medida Provisória (MP) n° 1.303, publicada em junho.

Inicialmente pensada para compensar a derrubada do aumento do IOF pelo Congresso, a medida foi mantida mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidar a decisão do Legislativo.

A MP inclui uma série de aumentos de alíquotas em setores variados, como fintechs, apostas online, criptoativos, cooperativas, empresas que utilizam juros sobre capital próprio, e títulos incentivados — entre eles, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e a Letra de Crédito Imobiliário (LCI).

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Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, os recursos arrecadados com as novas taxações já foram incluídos nas projeções da equipe econômica para o próximo Orçamento, que será enviado ao Congresso ainda esta semana.

Apesar disso, representantes do setor produtivo se opõem à medida e alegam que as alterações podem prejudicar investimentos e o ambiente de negócios no país.

Detalhes das mudanças previstas na MP 1.303

A nova medida provisória estabelece alterações pontuais que devem ampliar a arrecadação de forma significativa:

  • alíquota sobre apostas passa de 12% para 18%, com estimativa de arrecadação de R$ 1,7 bilhão em 2026;
  • Os juros sobre capital próprio sobem de 15% para 20%, prevendo R$ 5 bilhões em receitas;
  • Os títulos incentivados, que antes eram isentos, passam a ser taxados em 5%, gerando expectativa de R$ 2,6 bilhões;
  • As alíquotas do IR sobre aplicações financeiras, hoje entre 15% e 22,5%, seriam unificadas em 17,5%, com impacto neutro na arrecadação segundo a equipe econômica;
  • Criptoativos também passarão a ser tributados em 17,5%, mas o governo ainda não divulgou estimativas de arrecadação;
  • Para fintechs, a alíquota será de 15%, e para cooperativas, de 20%, podendo gerar até R$ 1,6 bilhão.

Outro ponto da MP prevê a limitação de compensações tributárias, o que deve resultar em R$ 10 bilhões a mais para os cofres públicos.

O governo também anunciou a inclusão do programa Pé de Meia no piso da educação, liberando R$ 12 bilhões no orçamento anual.

Despesas sobem, mas propostas de corte travam no Congresso

Embora o discurso do governo insista na importância da responsabilidade fiscal, as propostas para contenção de despesas pouco avançaram. Iniciativas como o teto para supersalários de servidores e a reforma da previdência dos militares enfrentam forte resistência no Congresso Nacional.

Outras sugestões ainda em análise incluem:

  • Reforma administrativa
  • Ajustes em programas sociais
  • Mudanças em abonos
  • Revisão de benefícios previdenciários

Entre as propostas mais polêmicas está a desindexação do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em relação ao salário mínimo.

Segundo a equipe econômica, essas mudanças poderiam gerar uma economia de até R$ 1,1 trilhão em dez anosdesde que não haja aumento real acima da inflação.

Revisão dos pisos de saúde e educação pode gerar corte bilionário

 

O governo também estuda a possibilidade de revisar os pisos constitucionais de saúde e educação, que atualmente são atrelados à receita da União. A proposta é alterar a fórmula de correção, limitando os reajustes à inflação ou até 0,6% acima dela.

Com isso, os dois setores poderiam deixar de receber entre R$ 77,5 bilhões e R$ 97 bilhões entre 2026 e 2028.

Tramitação da MP no Congresso e impacto fiscal esperado

Para que a MP 1.303 não perca validade, ela precisa ser aprovada pelo Congresso até o início de outubro.

Caso confirmadas, as medidas devem representar um aumento de R$ 21 bilhões na arrecadação de 2026. A meta do governo é alcançar um superávit primário de 0,25% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 31 bilhões.

Entretanto, de acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI), será necessário um esforço fiscal de R$ 80 bilhões para que a meta seja atingida. Metade desse valor poderia vir do aumento do IOF e da aprovação da MP 1.303.

Se a medida for rejeitada pelo Congresso, a equipe econômica terá de rever o plano fiscal e buscar novas fontes de receita.

Governo mira precatórios e receitas extraordinárias para fechar contas

Além das medidas já mencionadas, o governo busca aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 66, que trata dos precatórios. A proposta pode liberar R$ 12,4 bilhões no orçamento de 2026, aproveitando a diferença entre a inflação prevista e a efetiva.

Em paralelo, o Executivo tem recorrido a receitas extraordinárias nos últimos anos, como:

  • Dividendos de estatais
  • Leilões de petróleo
  • Aumento de impostos sobre combustíveis
  • Taxação de fundos exclusivos e offshores
  • Mudança em regras do Carf
  • Limitação no pagamento de precatórios

Segundo o Tesouro Nacional, mesmo com todas essas iniciativas, poderá ser necessário um novo esforço de arrecadação para cumprir as metas fiscais estabelecidas para os próximos anos.

 

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Foto: Ricardo Stuckert

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