Os Estados Unidos protagonizaram um momento incomum no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (27), ao abandonar a sessão durante o discurso da delegação da França. A retirada ocorreu em protesto contra declarações francesas que compararam a posição americana sobre direitos humanos à de países como Rússia, Coreia do Norte e Nicarágua.
O episódio aconteceu durante uma reunião que tinha como pauta principal a guerra na Ucrânia. Segundo Dan Negrea, representante suplente dos Estados Unidos na Assembleia Geral da ONU, a decisão foi uma resposta ao que classificou como uma postura de "protagonismo desonesto" por parte da França.
"Há um membro deste Conselho que finge indignação moral e pretende dar lições a todos sobre qualquer tema, inclusive assuntos que não dizem respeito à paz e à segurança internacionais. Por isso nos retiramos durante a intervenção francesa", afirmou.
Declaração francesa gerou reação
A tensão entre os dois aliados teve início após uma votação realizada na última sexta-feira (24), quando a Assembleia Geral renovou o mandato de Volker Türk como Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.
Os Estados Unidos votaram contra a renovação, juntando-se a outros dez países, entre eles Rússia, Coreia do Norte e Nicarágua.
Após a votação, a missão diplomática da França em Genebra divulgou uma nota afirmando:
"Os Estados Unidos costumavam ser um farol dos direitos humanos. Já não o são. Hoje situam-se ao lado de Coreia do Norte, Nicarágua, Mali e Rússia, isolados. E o mundo já não os escuta."
A declaração foi considerada o estopim para o incidente ocorrido no Conselho de Segurança.
Resposta dos Estados Unidos
Negrea rebateu duramente as críticas francesas.
"Lembro-lhes que são os Estados Unidos que seguem sendo o verdadeiro farol da liberdade para o mundo. Não lhes concederemos o benefício de ouvir seu discurso politizado", declarou.
Em resposta, o embaixador francês na ONU, Jérôme Bonnafont, minimizou o gesto americano e lembrou a histórica aliança entre os dois países, citando o apoio francês à independência dos Estados Unidos no século XVIII. O diplomata afirmou que a França continuará defendendo a independência das Nações Unidas e o cumprimento da Carta da ONU.
Votação foi aprovada
Apesar da oposição americana, a renovação do mandato de Volker Türk foi aprovada por ampla maioria: 144 países votaram a favor, 10 contra e 13 se abstiveram.
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, acusou a França de apoiar um alto comissário que, segundo ele, critica democracias enquanto "se aproxima dos piores opressores do mundo".
Questionado sobre a retirada da delegação americana da sessão, o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, evitou comentar o episódio e reiterou apenas a expectativa de que todos os Estados-membros respeitem as decisões da Assembleia Geral.
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