A defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele pretende firmar um acordo de delação premiada com as autoridades. Além disso, os advogados também pediram a transferência do ex-chefe do órgão financeiro do Complexo da Papuda.
Na decisão enviada ao ministro relator do caso, André Mendonça, a defesa argumenta que a formalização da delação premiada depende de três fatores:
- Voluntariedade do colaborador;
- Avaliação sobre a utilidade das informações reveladas na delação;
- Tomada de decisão esclarecida sobre os termos e riscos da colaboração;
O documento aponta também que o presídio onde Paulo Henrique Costa está não oferece as condições de segurança e sigilo necessárias para as negociações com as autoridades.
A defesa alega que a arquitetura da prisão e o monitoramento do espaço reservado aos encontros (parlatório) impossibilitam as tratativas. Segundo eles, no atual ambiente “não se pode discutir eventuais fatos delitivos de forma eficiente” nem “manusear fontes de prova”, o que prejudica a formulação da proposta de colaboração.
Além disso, os advogados também argumentam que Paulo Henrique Costa é oficial da reserva das Forças Armadas no posto de 2º Tenente, “circunstância que lhe asseguraria, inclusive, o direito à prisão especial, em sala de Estado-Maior”.
Prisão mantida pelo STF
A sinalização de uma possível delação e o pedido de saída da Papuda ocorrem logo após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter a prisão preventiva do ex-presidente do BRB. O relator do caso, ministro André Mendonça, foi acompanhado por Luiz Fux e Kassio Nunes Marques na decisão.
Paulo Henrique Costa está preso preventivamente desde o último dia 16, quando foi alvo da 4ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). Ele é investigado por um suposto esquema de recebimento de propinas — que teria sido viabilizado por meio da compra de imóveis — durante as tratativas para a aquisição do Banco Master pelo BRB. Além disso, há suspeitas sobre a compra de carteiras fraudulentas oferecidas pelo banco.
Paulo Henrique Costa havia assumido a presidência do banco estatal em 2019, por indicação do governador Ibaneis Rocha (MDB), e permaneceu no posto até ser afastado por decisão judicial em novembro do ano passado, durante as fases iniciais da operação.
Fonte/Créditos: Jovem Pan
Créditos (Imagem de capa): Rafael Lavenère / BRB
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se