Uma audiência pública no Senado expôs, nesta semana, a gravidade da crise que atinge o setor agropecuário do Rio Grande do Sul, revelando não apenas prejuízos econômicos bilionários, mas também um cenário de colapso social. Representantes de associações rurais relataram perdas estimadas em R$ 320 bilhões — valor que corresponde a aproximadamente metade do PIB gaúcho — e citaram casos de famílias emocionalmente devastadas pela pressão financeira desde 2020.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que preside a Comissão de Direitos Humanos, chamou atenção para os impactos sobre a saúde mental no campo: “Não é só economia, há suicídio”, afirmou, destacando que a crise extrapolou o âmbito econômico e alcançou níveis humanitários preocupantes.
Denúncias de juros abusivos e práticas ilegais
Entidades como Aper, Abdagro e Farsul relataram o que classificam como condutas abusivas de algumas instituições financeiras. Segundo os produtores, contratos com juros de até 25% ao ano, venda casada, exigências irregulares e tentativas de controle sobre terras e produção pressionaram agricultores já fragilizados por perdas climáticas e endividamento crescente.
Os representantes afirmam que mais de 30 famílias tiveram suas estruturas econômicas destruídas desde 2020, registrando crescente adoecimento emocional e abandono de propriedades
Questionamentos a órgãos oficiais
Chamado a prestar esclarecimentos, Cláudio Filgueiras, representante do Banco Central, afirmou nunca ter visto instituição financeira receber pagamento em soja — declaração que contradiz relatos apresentados pelos produtores durante a sessão.
Já Francisco Erismá, representante do Ministério da Fazenda, disse que a pasta enfrenta limitações de recursos. A justificativa, porém, foi contestada por Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, que lembrou que a arrecadação federal vem batendo recordes, ampliando a frustração dos agricultores quanto à falta de medidas mais amplas de socorro.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Divulgação
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