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Terça-feira, 28 de Julho 2026
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Conheça a mulher que está perto de herdar US$ 100 milhões de Jeffrey Epstein, financista e criminoso sexual

Karyna Shuliak conheceu criminoso sexual em 2011, poucos meses após desembarcar em Nova York

Conheça a mulher que está perto de herdar US$ 100 milhões de Jeffrey Epstein, financista e criminoso sexual
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A divulgação de milhões de documentos relacionados às investigações sobre Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos voltou a colocar um nome pouco conhecido no centro das atenções: o da dentista bielorrussa Karyna Shuliak. Aos 37 anos, ela aparece como uma das principais beneficiárias da fortuna deixada pelo financista, podendo herdar até US$ 100 milhões — aproximadamente R$ 506 milhões na cotação atual.

Durante anos, Shuliak permaneceu longe dos holofotes após a morte de Epstein, em agosto de 2019. No entanto, os novos documentos obtidos e analisados pelo The New York Times revelam detalhes inéditos sobre o relacionamento entre os dois, o apoio financeiro recebido por ela e o papel que desempenhou na administração do patrimônio do empresário.

Da Bielorrússia para os Estados Unidos

Karyna Shuliak nasceu na Bielorrússia e chegou aos Estados Unidos em 2010 com um visto de estudante. Seu objetivo era aprender inglês e encontrar uma maneira de concluir a graduação em odontologia, iniciada em seu país de origem.

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Enquanto buscava oportunidades para ingressar na profissão, trabalhou como auxiliar de dentista em Nova York.

Poucos meses depois de sua chegada, em março de 2011, conheceu Jeffrey Epstein por intermédio de uma jovem ligada ao círculo social do financista. Segundo o The New York Times, essa mulher costumava apresentar jovens ao empresário.

O relacionamento evoluiu rapidamente e se estendeu por aproximadamente oito anos, até a prisão de Epstein, em 2019.

Epstein financiou estudos e estilo de vida

Os documentos mostram que Epstein assumiu grande parte das despesas da companheira.

Além de custear viagens internacionais e gastos pessoais, ele financiou sua formação na Faculdade de Odontologia da Universidade Columbia, uma das instituições mais prestigiadas dos Estados Unidos.

Antes de ser aceita, Shuliak teve sua candidatura rejeitada. Segundo a reportagem, Epstein utilizou sua rede de contatos junto à universidade e chegou a mencionar a possibilidade de realizar uma doação milionária à instituição.

Posteriormente, ele efetivou uma contribuição de aproximadamente US$ 210 mil e passou a pagar integralmente as mensalidades da estudante.

Transferências milionárias

Os registros financeiros apontam que Epstein transferiu quase US$ 1 milhão diretamente para Karyna Shuliak durante o relacionamento.

Além disso, enviou dezenas de milhares de dólares aos pais dela, que continuavam vivendo na Bielorrússia.

Os documentos também revelam que a dentista tinha acesso aos cartões de crédito do empresário, utilizava seu jato particular e participava frequentemente de viagens aos Estados Unidos, Europa e Caribe.

Papel na administração do patrimônio

Com o passar dos anos, Shuliak passou a desempenhar funções que iam além da relação pessoal com Epstein.

Ela organizava equipes de funcionários, supervisionava imóveis, acompanhava reformas, coordenava serviços de manutenção e auxiliava na administração das diversas propriedades pertencentes ao empresário.

Segundo o The New York Times, ela também participou das negociações para a compra de um palácio no Marrocos poucas semanas antes da prisão de Epstein.

Casamento levantou suspeitas

Os documentos também trazem informações sobre sua situação migratória.

Em 2013, após permanecer nos Estados Unidos além do período permitido pelo visto de estudante, Shuliak se casou com uma pessoa ligada ao grupo de assistentes de Epstein.

A união permitiu que ela obtivesse residência permanente e, posteriormente, a cidadania americana.

Parlamentares do Partido Democrata levantaram suspeitas de que o casamento teria sido realizado apenas para regularizar sua situação migratória, mas nenhuma medida foi adotada para contestar sua naturalização.

Nunca foi acusada no caso

Apesar da proximidade com Epstein e de sua participação na administração de seus negócios, Karyna Shuliak nunca foi formalmente acusada de integrar o esquema de tráfico sexual atribuído ao financista.

De acordo com o The New York Times, ela não foi considerada cúmplice pelas autoridades federais, não foi interrogada pelo FBI e também não prestou depoimento aos advogados que representam centenas de vítimas de Epstein.

A última ligação antes da morte

Os arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça incluem milhares de e-mails, mensagens de texto e fotografias do casal.

As conversas revelam discussões sobre viagens, rotina, tratamentos médicos, medicamentos e até conflitos provocados pelos constantes relacionamentos de Epstein com outras mulheres.

Os documentos também indicam que Shuliak foi a última pessoa com quem o empresário conversou por telefone.

A ligação ocorreu um dia antes de Epstein ser encontrado morto em sua cela, em um presídio federal de Nova York, em agosto de 2019.

Pouco antes de morrer, o financista alterou seu testamento para incluí-la entre os principais herdeiros de sua fortuna e ainda destinou a ela um anel de diamante de 33 quilates.

Fortuna bilionária

Na época de sua morte, o patrimônio de Jeffrey Epstein era estimado em aproximadamente US$ 600 milhões.

Após acordos judiciais de indenização às vítimas e outras despesas relacionadas ao espólio, o valor foi reduzido para algo entre US$ 120 milhões e US$ 200 milhões.

Mesmo assim, os documentos apontam que Karyna Shuliak continua sendo uma das pessoas com maior expectativa de receber parte da herança, podendo ficar com bens avaliados em até US$ 100 milhões.

Vida após Epstein

Depois da morte do financista, Shuliak retomou sua carreira na odontologia.

Em 2023, retornou à Universidade Columbia para realizar um programa de pós-doutorado e, dois anos depois, obteve licença para exercer a profissão no estado de Nova York.

Segundo o The New York Times, ela trabalhava em um consultório no Brooklyn até a divulgação dos novos documentos federais.

Após a repercussão internacional do caso, deixou o emprego e, desde então, não há informações públicas sobre seu paradeiro ou sobre sua atuação profissional.

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