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Quarta-feira, 10 de Junho 2026
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Condomínio do Minha Casa, Minha Vida é dominado pelo CV na zona norte do Rio

Facção criminosa teria assumido o controle de condomínio na Pavuna, cobrando mensalidades de moradores e explorando serviços essenciais

Condomínio do Minha Casa, Minha Vida é dominado pelo CV na zona norte do Rio
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Um condomínio do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, localizado na Pavuna, zona norte do Rio de Janeiro, foi dominado por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Segundo denúncias e relatos apresentados por autoridades, os criminosos controlam o acesso a serviços básicos e impõem cobranças aos moradores para que permaneçam em suas próprias residências.

De acordo com as informações levantadas, os moradores passaram a pagar à facção pelo acesso a serviços como gás e internet. Além disso, é cobrada uma taxa mensal de R$ 300 por apartamento para permanência no condomínio.

Considerando os cerca de 800 apartamentos existentes no local, a arrecadação mensal da organização criminosa pode ultrapassar R$ 240 mil apenas com a cobrança das taxas habitacionais, sem contar os valores obtidos por meio da exploração dos demais serviços.

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O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Cesar dos Santos, afirmou que a expansão da influência das facções criminosas está diretamente relacionada à ausência do Estado em determinadas regiões. Segundo ele, o modelo de exploração econômica adotado atualmente pelos traficantes é semelhante ao praticado historicamente por grupos milicianos.

Essa ausência do Estado nessas comunidades, nessas favelas, é que faz com que o crime organizado venha explorar economicamente essas regiões e obviamente colocando essas pessoas sob o julgo deles e cobra todo tipo de serviço, né, de internet, água, luz, transporte alternativo, construção civil e obviamente esses conjuntos habitacionais que foram construídos acabam sendo tomados por essa organização criminosa que cobra essas taxas, assim como a milícia fazia no passado. Hoje não tem a menor diferença entre milícia e o traficante, porque agem da mesma maneira


Atualmente, o Estado do Rio de Janeiro possui cerca de 1.900 comunidades, sendo 813 apenas na capital fluminense. Segundo a secretaria, a retomada do controle desses territórios é uma das principais dificuldades das forças de segurança, especialmente considerando que aproximadamente um quarto da população carioca vive em favelas.

Facções como grupos terroristas

O debate sobre o avanço das facções criminosas também ocorre em meio à repercussão internacional da decisão do governo dos Estados Unidos de classificar grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas. Para Victor Cesar dos Santos, a medida não representa qualquer tipo de intervenção estrangeira no Brasil, mas pode contribuir para o combate financeiro às facções, especialmente por meio do bloqueio de bens e ativos.

A declaração dos Estados Unidos não vai causar nenhuma intervenção direta no Brasil. Isso não existe. A gente fala de soberania, mas hoje você imaginar que a milícia, que o tráfico domina um determinado território, isso sim afeta a nossa soberania, porque são microterritórios e território é soberania

O secretário também afirmou que relatórios encaminhados às autoridades norte-americanas apontam a presença de integrantes do Comando Vermelho em território dos Estados Unidos.

“A gente já verificou isso, foi um relatório feito pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, encaminhada ao governo americano, mostrando que o Comando Vermelho já tem a sua ramificação em estados americanos. E essa prática, esses atos que eles praticam aqui no Brasil, se praticados lá para a legislação americana, são considerados atos terroristas.”

Além do debate sobre segurança

A ocupação de conjuntos habitacionais por facções criminosas tem ampliado o debate sobre a presença do Estado em áreas vulneráveis do Rio de Janeiro. Além das questões relacionadas à segurança pública, especialistas e autoridades apontam impactos diretos sobre direitos básicos da população, como moradia, acesso a serviços essenciais e liberdade de circulação.

Da cobrança de taxas ilegais ao controle de serviços básicos, o avanço das facções sobre áreas residenciais expõe um problema que vai além da segurança pública. A disputa por esses territórios revela, também, os espaços onde o Estado perdeu presença — e onde a população acaba pagando a conta.

Fonte/Créditos: Jovem Pan

Créditos (Imagem de capa): Reprodução/TV Jornal

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