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Sexta-feira, 24 de Abril 2026
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BOMBA: Jornalista americano denuncia uso ilegal de redes sociais por Moraes para prender manifestantes do 8 de Janeiro

Documentos vazados revelam criação de força-tarefa secreta e uso político do Judiciário para reprimir opositores, afirma Michael Shellenberger

BOMBA: Jornalista americano denuncia uso ilegal de redes sociais por Moraes para prender manifestantes do 8 de Janeiro
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O jornalista investigativo norte-americano Michael Shellenberger revelou nesta segunda-feira (4) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria coordenado uma força-tarefa clandestina para justificar prisões de manifestantes do 8 de janeiro de 2023 com base apenas em postagens nas redes sociais. O conteúdo faz parte de uma série de documentos intitulada “January 8 Files”, que expõe supostas violações de direitos, prisões políticas e uso indevido de estruturas do Estado brasileiro.

Segundo Shellenberger, muitos dos detidos eram idosos ou enfermos e sequer cometeram atos de violência durante os protestos em Brasília. Ainda assim, foram rotulados como “terroristas”, “golpistas” e “fascistas” por figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio Moraes. A nova denúncia mostra que:

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Leia Também:

  • Moraes teria criado uma força-tarefa secreta de inteligência operando por WhatsApp;

  • O grupo elaborava relatórios ilegais baseados em postagens online;

  • Detentos foram mantidos presos enquanto suas redes sociais eram vasculhadas;

  • A liberdade dos acusados dependia de uma “etiqueta” positiva ou negativa;

  • A defesa foi impedida de acessar provas;

  • Dados biométricos foram utilizados ilegalmente para identificar manifestantes.

De acordo com as mensagens vazadas, a própria Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendou a soltura de dezenas de manifestantes, mas Moraes teria recusado liberar os presos até que suas redes sociais fossem analisadas. Em uma mensagem de 13 de fevereiro de 2023, Cristina Kusahara, chefe de gabinete de Moraes, escreveu:

“A PGR já pediu a soltura, mas o ministro não quer liberar antes de checar as redes sociais”.

As análises eram conduzidas por servidores do STF e do TSE, entre eles Eduardo Tagliaferro, chefe da unidade de desinformação do Tribunal. Essa equipe, segundo o relatório, foi pressionada a trabalhar em ritmo acelerado, mesmo sem qualificação para a função. “Eu posso fazer algo mais detalhado, mas não vai atender à velocidade que vocês precisam”, admitiu Tagliaferro.

O esquema, ainda de acordo com Shellenberger, incluía várias planilhas com classificações dos detidos. De 1.398 relatórios emitidos, em uma amostra de 69 analisados, 277 pessoas foram rotuladas como “negativas” (liberadas) e 42 como “positivas” (mantidas presas). O rótulo “positivo” poderia ser atribuído por um simples post em rede social.

Os motivos para um relatório positivo incluíram:

  • Compartilhando postagens sobre protestos
  • Publicar conteúdo pró-Bolsonaro
  • Vestindo verde e amarelo (cores da bandeira brasileira) 
  • Seguindo páginas de direita 
  • Criticar o STF, Lula ou as eleições 
  • Participar de grupos do Telegram ou WhatsApp 
  • Repostagem de conteúdo rotulado como “desinformação”

Casos emblemáticos incluem:

  • Claudiomiro da Rosa Soares, caminhoneiro preso por 11 meses após publicar memes contra o STF e questionar a eleição de Lula;

  • Vildete da Silva Guardia, 74 anos, aposentada, foi rotulada erroneamente como “positiva” e só foi liberada 21 dias depois por sangramento intestinal grave. Mais tarde, foi condenada a 11 anos e 11 meses de prisão e segue presa, em uma cadeira de rodas.

  • Ademir da Silva, mantido preso apenas por postar: “Fazer cumprir a Constituição não é golpe”;

Outro trecho do material revela que o juiz Airton Vieira, responsável por audiências de custódia dos presos, celebrou os encarceramentos em mensagem de despedida no grupo:

“Que possamos dar a cada um o que merece: cadeia! 😜😜😜😜😜”.

Fontes anônimas disseram aos jornalistas que Cristina Kusahara basicamente “dava ordens aos juízes”, mesmo sem ter cargo formal no Judiciário. Ela mesma reconheceu a arbitrariedade das decisões, dizendo:

“Temos 1.200 detidos e a maioria vai ser solta. Não dá pra ficar filosofando”.

A denúncia também contextualiza o cenário internacional: Moraes foi recentemente sancionado pelos Estados Unidos por abusos de direitos humanos, com base na Lei Global Magnitsky, por decisão do secretário de Estado Marco Rubio. Entre as medidas apontadas por Shellenberger como resultado do “uso criativo de poder” por Moraes estão:

  • O banimento de Jair Bolsonaro das eleições por 8 anos;

  • A censura a jornalistas e intimidações a críticos, como Elon Musk;

  • Prisões e bloqueio de bens de manifestantes considerados inocentes.

Prisões encenadas para narrativa simbólica

Em 8 de março de 2023, o STF ganhou as manchetes ao anunciar a soltura de 149 mulheres no Dia Internacional da Mulher — fato celebrado na imprensa como “gesto de compaixão” de Moraes. No entanto, uma mensagem cinco dias antes mostra Cristina Kusahara perguntando ao grupo:

“A equipe tem os laudos positivos das mulheres em mãos para que eu possa imprimir e apresentar à Justiça?”

Segundo Shellenberger, as mulheres foram mantidas presas por dois meses para que Moraes pudesse encenar a “libertação” em uma data simbólica, usando os mesmos relatórios “positivo/negativo” que sustentaram as prisões arbitrárias.

Shellenberger conclui:

“Estamos diante de uma distorção típica de regimes autoritários, onde a lei é usada como ferramenta de vingança política”.

A denúncia recebeu respaldo de juristas brasileiros, que reagiram com preocupação à atuação do STF e do TSE.

O ex-ministro do Supremo Marco Aurélio Mello classificou a conduta de Moraes como “nefasta” e criticou duramente as penas aplicadas:

“Não consigo entender como eles podem ser condenados a 15, 16, 17 anos de prisão. Essas são penas para assassinos ou assaltantes, não para arruaceiros ou vândalos”.

O advogado André Marsíglia, especialista em liberdade de expressão, afirmou que a criação de relatórios ilegais pelo tribunal representa “uma tomada inconstitucional das funções do Ministério Público”. Segundo ele:

“É uma distorção típica de regimes autoritários, onde a lei é usada como arma de vingança”.

Já o jurista Ives Gandra da Silva Martins, de 90 anos, afirmou que Moraes transformou a força-tarefa “em uma espécie de guardião do que pode ou não ser dito na democracia brasileira”.

A série de documentos divulgada integra o que seria uma nova fase da chamada “Vaza Toga”, sequência de vazamentos iniciada por Glenn Greenwald e Fábio Serapião. A investigação foi conduzida pelos jornalistas David Agape e Eli Vieira Jr., com edição de Alex Brannen.

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