Um novo estudo científico trouxe um alerta sobre o consumo excessivo de café. Segundo pesquisadores, beber três ou mais xícaras por dia pode aumentar o risco de problemas renais em pessoas com uma determinada variante genética ligada ao metabolismo da cafeína.
A pesquisa aponta que cerca de metade da população possui a variante genética CYP1A2, associada ao chamado metabolismo lento da cafeína. Nesses casos, o organismo demora mais para eliminar a substância, prolongando seus efeitos estimulantes.
Os cientistas acompanharam 604 adultos jovens com hipertensão arterial em estágio 1 durante aproximadamente 7,5 anos para avaliar possíveis impactos na saúde renal.
Entre os fatores analisados estavam presença de proteínas na urina (albuminúria), hiperfiltração renal e pressão arterial elevada.
Os resultados mostraram que pessoas com metabolismo lento da cafeína e consumo de três ou mais xícaras diárias apresentaram:
- risco 2,7 vezes maior de albuminúria;
- risco 2,5 vezes maior de hiperfiltração renal;
- risco 2,8 vezes maior de hipertensão arterial.
Segundo os pesquisadores, não foi encontrada relação entre consumo elevado de café e dano renal em pessoas com metabolismo rápido da cafeína.
O estudo também aponta que o risco é ainda maior quando o metabolismo lento está associado à hipertensão arterial.
Especialistas explicam que pessoas com metabolismo lento podem apresentar sintomas mais intensos após consumir cafeína, incluindo:
- insônia;
- nervosismo;
- irritabilidade;
- taquicardia;
- inquietude;
- problemas digestivos;
- aumento da frequência urinária.
Outra diferença observada está no tempo de ação da cafeína. Enquanto metabolizadores rápidos costumam atingir o pico de efeito em cerca de uma hora, metabolizadores lentos podem sentir os efeitos máximos apenas após quatro horas.
De acordo com recomendações médicas, o limite considerado seguro para a maioria dos adultos é de até 400 mg de cafeína por dia — equivalente a cerca de quatro xícaras de café.
Acima de 600 mg diários, o consumo já é considerado excessivo para praticamente qualquer pessoa.
Especialistas orientam que grupos específicos tenham maior cautela e reduzam o consumo para menos de duas xícaras por dia, incluindo:
- pessoas com hipertensão;
- gestantes;
- pacientes com doença renal.
Os pesquisadores recomendam que cada pessoa ajuste a ingestão de cafeína conforme sua tolerância individual e, no caso de metabolizadores lentos, prefira consumir café apenas nas primeiras horas do dia.
Créditos (Imagem de capa): Foto: Adobe Stock
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