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Banco Brasil Plural que virou Genial, Quaest e as suas Conexões.

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Banco Brasil Plural que virou Genial, Quaest e as suas Conexões.
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De banco de investimento da Faria Lima a patrocinador de pesquisas eleitorais e personagem indireto de investigações bilionárias

Poucas instituições financeiras brasileiras conseguiram reunir em sua trajetória tantos pontos de contato com temas politicamente sensíveis quanto o Banco Genial.

Nos últimos anos, a instituição esteve associada a pesquisas eleitorais amplamente divulgadas pela imprensa, foi mencionada em debates envolvendo a Operação Lava Jato e a delação do doleiro Lúcio Funaro, apareceu em discussões sobre a Operação Greenfield, participou de operações financeiras controversas em governos estaduais e, mais recentemente, surgiu nos autos da Operação Carbono Oculto, investigação que apura um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e infiltração do PCC no mercado formal.  

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Embora nenhuma dessas situações tenha resultado, até o momento, em acusação formal contra o Banco Genial por participação criminosa, a sucessão de episódios ajuda a explicar por que a instituição passou a ser observada com atenção por setores do mercado, da política e da opinião pública.

Capítulo 1 – As Origens: o nascimento do Brasil Plural

A história começa em 2009.

O banco foi fundado sob a marca Brasil Plural por executivos oriundos do mercado financeiro, entre eles Rodolfo Riechert, André Schwartz, Eduardo Moreira (dono do ICL) e Carlos Eduardo Rocha.

A proposta era criar uma instituição voltada para:

  •  investment banking;
  •  reestruturação de empresas;
  • gestão de patrimônio;
  • operações estruturadas;
  • mercado de capitais;
  • ativos estressados (distressed assets).

Em poucos anos o grupo passou a administrar dezenas de bilhões de reais em ativos e tornou-se um participante relevante da Faria Lima.  

Posteriormente ( e após a Operação Lava-Jato), o grupo iniciou um processo de reposicionamento comercial que culminou na criação da marca Genial Investimentos e, mais tarde, no Banco Genial.

Apesar da mudança de marca, a estrutura societária permaneceu ligada ao antigo Brasil Plural. O CNPJ histórico da instituição permaneceu o mesmo.  

Capítulo 2 – Greenfield, Funaro e as primeiras controvérsias

Entre 2016 e 2018, diversas operações envolvendo fundos de pensão entraram na mira das autoridades.

Nesse período ganhou notoriedade a Operação Greenfield, investigação que examinava supostas irregularidades envolvendo fundos de pensão estatais.

Paralelamente, o doleiro Lúcio Funaro firmava acordo de colaboração premiada no âmbito da Lava Jato.

Funaro ficou conhecido por atuar como operador financeiro ligado ao grupo político do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Foi nesse contexto que o nome do então Banco Brasil Plural apareceu em discussões políticas e parlamentares.

Importante destacar:

Aparecer citado em delações ou investigações não significa culpa nem condenação.

Não houve condenação criminal do banco decorrente dessas menções.

Ainda assim, a associação passou a ser frequentemente utilizada por adversários políticos e críticos da instituição.

Capítulo 3 – O episódio do Piauí

Em 2019, o então deputado estadual Gustavo Neiva questionou uma operação financeira envolvendo o governo do Piauí, do petista Wellington Dias, e o Banco Brasil Plural.

Segundo as críticas feitas na época, o Estado pretendia contratar uma operação de aproximadamente R$ 2,7 bilhões.

Neiva alegava que o patrimônio da instituição seria significativamente menor (nem um terço do valor) que o valor da operação pretendida.

As declarações ganharam repercussão porque o parlamentar também recordou as referências ao banco em investigações anteriores e questionou por que o governo estadual não havia recorrido a instituições tradicionais como Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Santander ou Bradesco.

O caso teve forte repercussão política, mas não gerou responsabilização criminal da instituição.

Capítulo 4 – A chegada da Quaest

O ponto de inflexão na exposição pública do grupo ocorreu em 2021.

Foi quando nasceu a parceria entre a Genial Investimentos e a Quaest Pesquisas.

A Quaest, dirigida pelo cientista político Felipe Nunes, era conhecida principalmente por pesquisas em Minas Gerais.

A partir da parceria com a Genial, passou a realizar levantamentos nacionais periódicos para eleições presidenciais, estaduais e análises de cenário político.  

Segundo informações divulgadas pelo próprio instituto:

  • a Genial passou a financiar as pesquisas nacionais;
  • os levantamentos eram realizados presencialmente;
  • havia divulgação periódica para imprensa e clientes;
  • em 2022 a Quaest trabalhou exclusivamente para a Genial no segmento financeiro.  

A parceria transformou a marca “Genial/Quaest” em uma das pesquisas mais divulgadas do país.  

Capítulo 5 – A polêmica das eleições de 2022

O debate ganhou intensidade quando veio a público que o Banco Genial financiava pesquisas eleitorais registradas no TSE.

Os registros eleitorais mostravam a Genial como contratante dos levantamentos realizados pela Quaest.

O valor inicialmente divulgado para o contrato era de aproximadamente R$ 268 mil. Diversos levantamentos posteriores foram realizados ao longo de todo o ciclo eleitoral de 2022.  

Críticos argumentavam existir potencial conflito de interesse pelo fato de uma instituição financeira bancar pesquisas com forte impacto político e econômico.

Por outro lado:

  • a legislação eleitoral permite o financiamento privado de pesquisas;
  • os contratantes devem ser identificados;
  • os dados metodológicos precisam ser registrados no TSE.

Não houve decisão judicial concluindo que as pesquisas Genial/Quaest tenham sido fraudadas ou manipuladas.  

Capítulo 6 – O crescimento do Grupo Genial

Enquanto o debate político se intensificava, o grupo continuava expandindo sua atuação.

A Genial tornou-se uma das maiores plataformas independentes de investimento do país.

Os números mais recentes disponíveis apontam:

* patrimônio líquido superior a R$ 3 bilhões;

* lucro líquido superior a R$ 200 milhões;

* crescimento expressivo da base de clientes e ativos sob custódia.  

A instituição passou a disputar espaço com corretoras e bancos digitais que ganharam força na última década.

Capítulo 7 – A Operação Carbono Oculto

Em 2025 surgiu o episódio mais delicado da trajetória recente da instituição.

A Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Carbono Oculto.

  • As investigações apontam um suposto esquema de: lavagem de dinheiro;
  • sonegação fiscal;
  • ocultação patrimonial;
  • infiltração do PCC no mercado formal.

Segundo as autoridades, a movimentação investigada ultrapassa R$ 50 bilhões.

Em uma das frentes da apuração, a Fazenda paulista busca recuperar aproximadamente R$ 7,6 bilhões em tributos.  

Capítulo 8 – O Fundo Radford

Foi nesse contexto que surgiu o nome do Banco Genial.

Os investigadores identificaram o Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado.

Segundo os autos, o fundo recebeu recursos ligados a empresas investigadas.

O nome da Usina Itajobi aparece como cotista do fundo.

As autoridades apontam que a usina é controlada por Mohamad Hussein Mourad, empresário citado na investigação como possuidor de vínculos relevantes com integrantes do PCC.  

Posteriormente foram determinadas medidas cautelares envolvendo aproximadamente R$ 176 milhões relacionados ao fundo.  

Capítulo 9 – O papel do Banco Genial

Esse é o ponto mais importante da história.

A suspeita de envolvimento ou ligação direta entre o banco e a investigação do PCC, os documentos conhecidos até agora indicam uma situação mais específica.

O Ministério Público afirmou que:

  • o Banco Genial não é investigado;
  • seus executivos não figuram entre os alvos da operação;
  • a instituição foi mencionada por ter exercido temporariamente a administração do Fundo Radford;
  • o banco colaborou com o fornecimento de informações às autoridades.  

Em resposta pública, a Genial declarou ter atuado dentro das normas regulatórias e negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas.  

Capítulo 10 – BK Instituição de Pagamento

Outro nome que aparece nos desdobramentos da Carbono Oculto é a BK Instituição de Pagamento.

Segundo documentos e reportagens relacionadas à investigação, estruturas de pagamento, fundos e empresas do setor financeiro teriam sido utilizadas para movimentação e ocultação de recursos associados ao esquema investigado.

A BK aparece como um dos agentes financeiros examinados pelos investigadores dentro da engrenagem financeira supostamente utilizada para circulação dos recursos.

Entretanto, assim como ocorre com outras empresas mencionadas na investigação, a simples aparição em documentos ou fluxos financeiros não equivale automaticamente à prática de ilícitos, sendo necessária a conclusão das apurações para determinar responsabilidades individuais.

Cronologia Resumida

2009

Fundação do Brasil Plural.  

2016–2018

Operação Greenfield e delação de Lúcio Funaro colocam o nome da instituição em debates políticos.

2019

Questionamentos sobre operação bilionária envolvendo o governo do Piauí.

2021

Início da parceria Genial–Quaest.  

2022

Genial torna-se financiadora das pesquisas presidenciais da Quaest.  

2023–2024

Consolidação da marca Genial como uma das principais plataformas financeiras independentes do país.  

2025

Deflagração da Operação Carbono Oculto.  

2026

Bloqueios cautelares envolvendo aproximadamente R$ 176 milhões ligados ao Fundo Radford ampliam a repercussão pública do caso.  

Conclusão

A pergunta que originalmente surgiu em 2022 — “quem é o banco que financia a Quaest?” — leva hoje a uma história muito maior do que uma simples contratação de pesquisas eleitorais.

O Banco Genial é herdeiro direto do antigo Brasil Plural, possui forte presença na Faria Lima, financia pesquisas políticas de ampla repercussão nacional e apareceu, ainda que como agente não investigado segundo o Ministério Público, em uma das maiores investigações recentes sobre lavagem de dinheiro, fundos de investimento e suposta infiltração do PCC no mercado financeiro brasileiro.  

O resultado é uma instituição que passou a ocupar um espaço singular: simultaneamente relevante para o mercado financeiro, influente no debate político e frequentemente mencionada em algumas das mais sensíveis controvérsias públicas do país.

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