Um aristocrata italiano obcecado por armamento militar é acusado de pagar uma quantia vultosa para caçar pessoas inocentes durante "safáris humanos" promovidos durante a Guerra da Bósnia, nos anos 1990.
O homem não identificado, oriundo de uma família rica de Milão, teria se juntado a franco-atiradores em Sarajevo (Bósnia) durante o conflito no Bálcãs, segundo informações publicadas na quarta-feira (17/6) pelo jornal "The Times", de Londres.
Os turistas macabros são acusados de se posicionar ao lado de homens armados sérvios nas colinas que cercam a cidade bósnia, de onde os estrangeiros miravam os civis lá embaixo enquanto a guerra devastava a região.
O homem é procurado para prestar depoimento a autoridades judiciais na Itália. Ele teria se gabado diversas vezes de sua viagem a Sarajevo durante conversas em jantares com amigos próximos. O homem também teria dito a uma ex-companheira que viajara de avião para Sarajevo com "pessoas que se tornavam franco-atiradores nos fins de semana para matar muçulmanos". Ela mostrou à polícia uma foto de uma autorização que o aristocrata havia usado para entrar em zonas de guerra e anotações que ele mantinha sobre suas supostas mortes.
"Fui procurado por uma testemunha que relatou que o aristocrata havia se gabado para amigos sobre o safári mais de uma vez durante jantares", disse o escritor e investigador Ezio Gavazzeni ao jornal londrino.
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Investigadores italianos já interrogaram quatro supostos atiradores desde que as alegações sobre esses "passeios de caça humana" envolvendo a elite social surgiram no documentário "Sarajevo Safari", de 2022, do cineasta esloveno Miran Zupanic.
A casa de um dos suspeitos foi alvo de uma operação de busca e apreensão, na qual a polícia recuperou um silenciador na quarta-feira, na cidade de Alessandria — localizada a cerca de 100 quilômetros ao sul de Milão.
Áustria também investiga
Autoridades da Áustria também abriram uma investigação formal contra dois suspeitos ligados às denúncias dos "safáris humanos" durante o cerco sérvio a Sarajevo. O Ministério da Justiça confirmou que a investigação foi aberta em 25 de abril e classificou o caso como relacionado a possíveis crimes de guerra extremamente graves. A iniciativa foi impulsionada pela ex-ministra da Justiça austríaca Alma Zadic, do Partido Verde, que vem pressionando por aprofundamento das apurações.
Segundo relatos, participantes dos "safáris humanos" também seriam oriundos de Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Rússia, Canadá e EUA.
Fonte/Créditos: Extra
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