A jovem Matilda Phillips tornou-se, aos 15 anos, a paciente mais jovem do mundo a passar por uma cirurgia cerebral acordada. O procedimento complexo foi realizado no Hospital Infantil Alder Hey, em Liverpool, na Inglaterra, com o objetivo de tratar uma doença vascular rara conhecida como malformação arteriovenosa (MAV).
A condição é caracterizada pelo emaranhamento anormal de artérias e veias, o que interrompe o fluxo sanguíneo adequado e pode provocar sintomas graves, como fortes dores de cabeça, convulsões frequentes e riscos iminentes de hemorragias cerebrais perigosas para a vida do paciente.
O desafio médico e a complexidade do procedimento
De acordo com a equipe médica responsável pelo caso, a malformação da adolescente estava localizada em uma região crítica do lado esquerdo do cérebro. A proximidade com áreas essenciais para funções como fala, movimento e visão elevou drasticamente o nível de risco da intervenção cirúrgica.
O neurocirurgião pediátrico Conor Mallucci, que liderou a operação ao lado do colega Vejay Vakharia, destacou a dificuldade técnica do caso:
No caso de Tilly, a MAV estava localizada perto do lado esquerdo do cérebro e próxima a várias dessas funções críticas, o que tornou a cirurgia particularmente arriscada. O desafio é que pode ser extremamente difícil diferenciar entre tecido anormal e tecido cerebral vital.
Para garantir a segurança da paciente, a equipe optou por mantê-la acordada durante 30 minutos de uma cirurgia que durou 12 horas. Enquanto os cirurgiões atuavam na remoção da malformação arteriovenosa, profissionais monitoravam a fala e a capacidade de nomear figuras apresentadas a Matilda.
Impactos e recuperação da paciente
A decisão de enfrentar o procedimento veio do receio constante com a evolução da doença. Segundo relatos da própria jovem, as convulsões estavam se tornando mais frequentes e o medo de um rompimento repentino da MAV a fazia sentir que sua vida estava completamente paralisada.
Entre os principais sintomas e riscos associados à condição tratada, destacam-se:
- Dores de cabeça intensas e recorrentes
- Convulsões frequentes de difícil controle
- Risco elevado de hemorragias cerebrais graves
- Interrupção do fluxo sanguíneo normal no tecido cerebral
Atualmente com 16 anos, Matilda recebeu alta hospitalar apenas uma semana após a cirurgia. Exames recentes de acompanhamento confirmaram o sucesso completo na remoção da MAV.
Embora ainda lide com pequenas sequelas temporárias, como dificuldades leves para redigir mensagens ou lembrar de determinadas palavras, a jovem celebra a nova fase e o retorno às atividades cotidianas ao lado de amigos e familiares.
Créditos (Imagem de capa): Tilly Phillips — Foto: Alder Hey/Children's NHS Foundation Trust
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